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Recortes da Inovação: O que é Design Thinking?

No terceiro artigo da série, conheça a abordagem usada por instituições de todo o mundo para elaborar soluções criativas e colaborativas

Publicado: 23/11/2020 | 12h09
Última modificação: 03/12/2020 | 13h42

'Recortes da Inovação" é uma iniciativa do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) para estimular o compartilhamento de informações e experiências sobre inovação, criatividade e cultura. No terceiro artigo da série, Edno e Bianca explicam o que é Design Thinking (DT) e compartilham um pouco da experiência do CCMS com a abordagem.

Imaginem como seria bacana se qualquer pessoa pudesse aplicar conceitos de criação e de modelos de pensamento dos designers, mesmo não sendo um profissional. Agora, imaginem um grupo de pessoas dos mais variados perfis, das mais variadas formações e ocupações, juntas, compartilhando experiências e trabalhando colaborativamente, aplicando o modelo de pensamento dos designers. Humm, pareceu mais interessante? Então preparem-se...vamos aumentar a potência. Imaginem (lá vai!) que baita impacto positivo isso teria para a solução de problemas complexos colocando os próprios usuários de um produto ou serviço no centro da criação. Imaginaram? Isso existe, e é chamado de “Design Thinking” (DT). 

Explicando melhor, Design Thinking (pensamento de design, na tradução literal) é uma abordagem popularizada a partir dos anos 2000 na qual um grupo de pessoas com conhecimentos e formações diversas se organizam de forma colaborativa para entender quais são as maiores necessidades de seus atores (stakeholders) e, a partir daí, criar propostas de soluções criativas para solucioná-las. No texto “O que é design?”, que compõe esta série, falamos sobre o modo de pensar do designer indo além da estética, para suprir desafios reais da sociedade. 

Para funcionar tão bem, o DT se sustenta em 3 pilares: 

Pessoas no centro 

Colocar o usuário do serviço ou produto no centro é o início, pois não fazemos design para um objeto, fazemos para o João, Maria, Rafael e Eduarda. São indivíduos com necessidades reais. Logo, é fundamental entender as pessoas de forma mais integral, descobrir suas motivações, como se sentem e quais problemas estão querendo resolver. E quando falamos em “pessoas” não estamos falando somente no consumidor final, mas todos os envolvidos no processo. Por isso, o próximo pilar é importantíssimo. 

Colaboração 

Para resolver esses problemas é preciso ir além do usual. Formar equipes multidisciplinares, com experiências e pontos de vistas diferentes. Com a colaboração de todos, o processo será potencializado com a troca de conhecimento e o trabalho em conjunto. 

Experimentação

A cereja do bolo. No DT, é importantíssimo pensar com as mãos, seja desenhando, modelando, fazendo protótipos para testar versões da solução com os usuários. Errar faz parte do plano, pois experimentar com tentativas e falhas é fundamental para o processo de aprendizagem. 

Vocês podem estar perguntando “Nossa, então DT é uma invenção milagrosa que dá a qualquer pessoa o poder da criatividade para resolver qualquer tipo de problema?”. Não é para tanto...Vale esclarecermos que é possível obter sucesso mesmo sem passar pelo processo criativo centrado no usuário e tudo mais que apresentamos aqui. Sim, somos entusiastas do uso do DT para inúmeros casos, inclusive no serviço público (a experiência do processo é fantástica). E apesar de não ser o único caminho para a solução criativa de problemas, as evidências demonstram que a opção pela abordagem, possibilita escolhas cada vez mais assertivas e efetivas em proporcionar experiências satisfatórias para as pessoas. Que tal experimentar no seu trabalho? 

Procurando na internet vocês terão acesso a diversos materiais, kits de ferramentas para completar a experiência na utilização dessa abordagem. Vale lembrar que no DT não existe uma receita pronta que atenda a todos os casos. Vocês irão perceber que umas ferramentas fazem mais sentido que outras para determinado desafio, mas o importante mesmo é sempre confiar no processo! Temos certeza que vão se surpreender com o resultado. 

 

Para ilustrar brevemente como funciona na prática, aqui no Centro Cultural do Ministério da Saúde, nós costumamos organizar oficinas de 3 dias, caminhando por um processo imersivo distribuído em etapas, usamos o modelo da escola de design da Stanford, conhecida como d.school¹: 

1) Entendimento: quando pesquisamos sobre o assunto e compartilhamos com o grupo o que já sabemos sobre ele, o que ainda precisamos conhecer ou entender, para quem podemos pedir ajuda ou fontes de informação que ajudarão a entender melhor as causas e consequências do problema. 

2) Observação: momento de questionar e explorar, para aprofundarmos os conhecimentos sobre o problema e o entendimento sobre comportamentos e reais necessidades dos usuários, o que possibilita um olhar mais empático sobre ele.  

3) Ponto de vista: quando sintetizamos os pensamentos e redefinimos o desafio, a partir da perspectiva das pessoas para quem estamos nos propondo soluções. 

4) Ideação: quando começamos a gerar ideias para possíveis soluções. Quanto mais ideias e mais diversificadas elas forem, melhor. 

5) Prototipagem: hora de concretizar as ideias, esboçando como elas serão montadas e apresentadas para o usuário. Não precisa ser um protótipo de alto custo – o mais importante é colocar rapidamente em teste e comunicar da melhor forma possível o que é a solução e como ela pretende ajudar para solucionar o problema do usuário. 

6) Teste: momento de avaliar a experiência do usuário com a solução apresentada, validando e observando correções e adequações a serem feitas na versão, 

7) Iteração: etapa para aprimorar as soluções testadas, quantas vezes forem necessárias. 

Antes de encerrarmos o artigo, gostaríamos de compartilhar esta bela síntese do que é Design Thinking pela perspectiva de Tim Brown, presidente da IDEO², e um entusiasta sobre o valor do pensamento de design aplicado à proposta de soluções criativas e novas alternativas para a sociedade como um todo: 

“O design thinking começa com habilidades que os designers têm aprendido ao longo de várias décadas na busca por estabelecer a correspondência entre as necessidades humanas com os recursos técnicos disponíveis considerando as restrições práticas dos negócios. Ao integrar o desejável do ponto de vista humano ao tecnológica e economicamente viável, os designers têm conseguido criar os produtos que usufruímos hoje. O design thinking representa o próximo passo, que é colocar essas ferramentas nas mãos de pessoas que talvez nunca tenham pensado em si mesmas como designers e aplicá-las a uma variedade muito mais ampla de problemas.” 

 

 

¹ IDEO é empresa de consultoria em inovação reconhecida pela aplicação do design thinking no mundo dos negócios. 

² D.school, como é conhecido o Instituto de Design Hasso Plattner, instituto de design thinking baseado na Universidade de Stanford, fundado em 2004 por David M. Kelley. 

 

 

REFERÊNCIAS 

Brown, T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017. 

Kelley, T. Confiança Criativa: liberte sua criatividade e implemente suas ideias. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019 

Pinheiro, T., Alt, L., & Pontes, F. Design Thinking Brasil: empatia, colaboração e experimentação para pessoas, negócios e sociedade. São Paulo: Elsevier, 2012. 

 

FOTOS

https://www.pexels.com/pt-br/foto/artista-interprete-close-vista-de-perto-3471423/

https://www.pexels.com/pt-br/foto/brainstorm-comodo-complexo-complicado-212286/