CCMS

A história do prédio do CCMS


Última modificação: 04/02/2019 | 15h55

Texto de Milton de Mendonça Teixeira - Historiador
Imagens: Acervo Biblioteca Nacional

 

Quando, em 1919, assumiu a presidência da República o paraibano Epitácio da Silva Pessoa, uma de suas primeiras providências no cargo foi a de nomear para Prefeito do Distrito Federal o engenheiro Carlos Sampaio e incumbi-lo de organizar a “Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil,” a ser realizada em 1922. Objetivava tal mostra não só afirmar ao mundo as potencialidades brasileiras nos diversos setores da vida nacional, como, obviamente, atrair novos mercados.

 

Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Após algumas hesitações, decidiu o prefeito pela realização da exposição no sítio do morro do Castelo, local onde Mem de Sá refundou a cidade do Rio de Janeiro em 1567, trazendo-a do morro Cara-de-Cão, onde Estácio de Sá a fundara dois anos antes. Não se deu ouvidos à tradição ou à história, nem se levou em conta que existiam diversos sítios ainda desocupados na cidade, mormente nas zonas sul e norte, onde a mostra poderia ter sido realizada sem maiores gastos. Mas, tomada a decisão, arrasou-se o morro em menos de dois anos e fez-se a exposição. 

Alguns dos pavilhões ali edificados em 1921-22 foram projetados pelos maiores arquitetos da época e, se de forma alguma compensavam os bens culturais perdidos na destruição do morro do Castelo, ao menos foram obras marcantes para a cultura de então.

 

Dentre outros pavilhões, ergueu o governo um palacete destinado a expor a riqueza do Brasil expressa em números: o “Pavilhão da Estatística”, projetado pelo professor da Escola Nacional de Belas Artes, Dr. Gastão da Cunha Bahiana (1879-1959). Filho e irmão de arquitetos, Gastão Bahiana era um purista, avesso ao estilo neocolonial ou aos modernismos que começavam a debicar por aqui. Por este motivo escolheu para o pavilhão um sóbrio estilo Luís XVI, cuja pureza foi prejudicada por estranha cúpula, desenhada por seu sócio Nereu Sampaio. Ambos haviam projetado o prédio do Fórum, alguns metros adiante e ainda de pé. Após a exposição, Gastão Bahiana fez gestões para a retirada da cúpula, finalmente obtida em 1930.

Este edifício, que depois foi repartição pública e mais recentemente Vigilância Sanitária Portuária, é, portanto, dos raros remanescentes da Exposição Nacional de 1922, constituindo-se em importante bem cultural a ser preservado.