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Recortes da Inovação: Museu 2.0

Conheça o conceito que propõe que os visitantes sejam usuários ativos ao interagir com os espaços culturais

Publicado: 14/07/2021 | 10h09
Última modificação: 15/07/2021 | 09h04

“Recortes da Inovação" é uma iniciativa do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) para estimular o compartilhamento de informações e experiências sobre inovação, criatividade e cultura. No décimo artigo da série, Edno e Bianca explicam o conceito de Museu 2.0, que propõe que o visitante passe a ser um usuário ativo, interagindo com o espaço cultural e expandindo os limites de sua experiência.

“O museu precisa entender o que é valioso para o outro, e não para si mesmo.” (Luis Mendes)

Quando você se programa para visitar um museu, o que você procura exatamente? 

Se a sua resposta for “depende”, você estará correto(a); e se a resposta for qualquer outra...você também estará correto(a). Mas é bem provável que muitos respondam algo como “procuro ver quadros famosos”, porque essa é a imagem que temos desde crianças dos espaços que promovem a cultura, como museus, galerias e centros culturais. É o modelo tradicional, contemplativo, onde chegamos para ver obras de arte (geralmente guardando certa distância delas). 

Antes de entrar no tema do artigo gostaríamos de propor um pequeno exercício. Topa? Vamos lá: imagine-se numa sala com obras de arte, esculturas distribuídas pelo espaço, elementos cenográficos compondo um ambiente temático, sonoplastia, enfim...dê asas à imaginação. Montado o cenário, imagine-se passeando por ele, parando um instante para estudar, com os olhos, os detalhes de cada obra. Bacana. Continuando, imagine-se ganhando um passe livre para tocar em tudo, sem limites (uhuuu!) para sentir a textura das obras, deslizar as mãos pelas curvas das formas, aproximar o rosto e sentir o cheiro dos materiais... Agora você pode trazer outras pessoas para sala, todas com passe livre, e vocês começam a conversar e trocar sensações e percepções sobre essa fantástica experiência. Pronto! Você acabou de montar um museu participativo ou, como também é conhecido, Museu 2.0! 

A ideia de Museu 2.0 nasce justamente do balãozinho que paira sobre nossas cabeças, materializando inúmeras vontades e possibilidades, de forma que uma “simples” visita ao espaço cultural se transforme numa verdadeira experiência. Trazendo para uma definição mais simples, o museu participativo propõe uma busca pela renovação da forma como os espaços culturais se apresentam para a comunidade, adormecendo um pouco o modelo tradicional (“ver-não tocar”) e despontando para um formato que estimule uma participação mais dinâmica, integrativa e interativa dos visitantes com o espaço, com a exposição e com os objetos que ali são apresentados. 

Temos um exemplo muito legal para compartilhar, de uma equipe criativa de Toronto, no Canadá, formada por animadores e designers gráficos que colocaram a imaginação para voar ainda mais alto. Vamos ficar devendo a história real de como surgiu a ideia, mas podemos supor (só pra dar sentido) que alguém tenha feito a seguinte provocação: “se em vez de montarmos uma exposição com as pinturas do Van Gogh, oferecêssemos aos visitantes a oportunidade de entrarem na obra? Uma experiência multissensorial de uma pintura.”. Pode parecer uma ideia meio louca no início (e no meio também, diga-se), porém eles fizeram e a batizaram de “Immersive Van Gogh Exhibit”. O resultado final é de tirar o fôlego, mesmo. Trouxemos uma imagem, mas calma... a levamos para o final do texto, porque ainda tem assunto e queremos que você termine a leitura, enquanto ainda tem ar nos pulmões. 

Voltando para a teoria dos modelos, não estamos dizendo aqui que o tradicional está ultrapassado. De forma alguma. O que pretendemos trazer pra debate é que a realidade dos espaços culturais também pode ser repensada por uma perspectiva inovadora, e que elementos como conexão e compartilhamento podem favorecer a experimentação de infinitas experiências nesse campo. É preciso que os espaços reconheçam os diversos perfis de público visitante, como aqueles que se sentem realizados com o modo contemplativo, enquanto outros precisam de uma experiência mais imersiva ou de uma relação mais próxima com o ambiente e com outras pessoas, para então preparar a devida estratégia de contato com o público. 

Daí podemos chegar facilmente à questão do design centrado no ser humano, que direciona o pensamento criativo a partir da compreensão do comportamento do indivíduo e de quais gatilhos despertam suas emoções. Este artigo foi aberto com uma provocação de Luis Marcelo Mendes, consultor de organizações culturais como o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio (MAR)  e nos leva diretamente a uma reflexão do que é realmente importante para o público visitante: “O museu precisa entender o que é valioso para o outro...”. 

Tanto faz o modelo, o que precisamos ter em mente é que os espaços culturais não podem parecer inacessíveis. Quebrar essa barreira e trabalhar de forma mais próxima e acolhedora junto à comunidade é uma excelente alternativa para materializar um lugar onde todos podem se sentir livres para compartilhar e usufruir experiências, criar laços e refletir juntos as possibilidades que o futuro reserva, a partir do que somos hoje e do que fomos no passado. Existem infinitos meios de estimular reflexões e podemos explorar todos eles.  

É isso. Agora sim, prometemos a imagem, então lá vai...respira fundo. Esta é a Immersive Van Gogh Exhibit (você pode ver mais acessando o link que deixamos lá nas referências). 

Usando a técnica de projeções animadas, a exposição convida o visitante para um passeio imersivo dentro das obras do pintor holandês Vincent van Gogh

O Museu da Vida (RJ) reproduziu uma célula gigante e interativa. Uma bela e divertida forma de aprender biologia, concorda?

Já imaginou nascer de novo? A exposição Sentidos do Nascer, da UFMG, propôs conduzir o visitante para alguns instantes de reflexão e acolhimento dentro de um útero cenográfico, passando em seguida pelo colo até o canal que o levará ao nascimento.