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O prisioneiro de passagem: Arthur Bispo do Rosário


Última modificação: 28/02/2019 | 11h58

"Quem foi Arthur Bispo do Rosário? Podemos considerar como arte os objetos produzidos por ele, nos recônditos de um hospital psiquiátrico? Ou seriam esses objetos apenas produtos de sua loucura? Artista? Louco?

No início dos anos 1980, a enigmática personalidade de Bispo do Rosário e sua instigante obra, foram reveladas ao mundo pelo do documentário: O prisioneiro da passagem1, dirigido pelo psicanalista e fotógrafo Hugo Denizart(*), e pela exposição coletiva: À margem da vida, realizada no MAM/RJ, na qual a participação de Bispo foi alavancada, sobretudo, pelo referido documentário.

O prisioneiro da passagem foi financiado pelo Ministério da Saúde, sendo o braço de uma pesquisa maior coordenada por Hugo Denizart, que desejava registrar e denunciar as condições de vida desumanas na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Embora a instituição fizesse parte do próprio Ministério, eram tempos de abertura política no país e diferentes grupos e movimentos sociais, que começavam a se fazer representar nas esferas de governo, estavam empenhados em produzir transformações. Para isso, era necessário denunciar o descaso a que aquelas pessoas ficaram submetidas durante tantos anos de internação psiquiátrica.

A figura do personagem principal, Bispo do Rosário, em O prisioneiro da passagem, torna este filme mais poético e palatável do que Em nome da razão. Não abrindo mão de apontar a lógica excludente da psiquiatria em curso naquele momento, Denizart nos oferece também o universo fantástico e desconcertante de Bispo do Rosário, um contraponto em relação à dureza das cenas do manicômio e do depoimento de outro “interno”, que dotado de “razão” e clareza incontestáveis, reflete sobre o que está em jogo no mandato social de exclusão cumprido pelo hospício."

Ano: 
1982
Duração do Vídeo: 
0:30