Que mais podemos saber dobre as doenças na pré-história?
Muitos sinais de que o organismo teve problemas podem ser percebidos nos ossos e dentes.
A maior parte deles não serve para diagnosticar problemas específicos, mas mostra o que se chama sinais de estresse biológico: infecções, períodos de fome ou problemas graves de saúde tais como acidentes.
A redução de ferro no organismo pode ter diferentes causas e levar a uma forma de anemia. Sua existência pode ser identificada por áreas porosas que se formam no crânio. Podem indicar anemias hereditárias, como a talassemia e a anemia falciforme, ou até infecções e parasitoses crônicas.
Paradas temporárias de crescimento do organismo, e sua recuperação, podem ser identificadas pela presença de linhas de Harris, visíveis nas radiografias dos ossos longos.
Sinais de inflamação da superfície dos ossos, ou periostites, podem indicar traumatismos locais ou infecções gerais no organismo.
Tumores, malformações congênitas e muitas outras condições são conhecidas hoje para muitas populações pré-históricas.
Práticas cirúrgicas como as trepanações cranianas, a extração dentária, e as amputações foram realizadas com facas de metal e pedra. O seu estudo mostra a habilidade médica e o uso engenhoso de técnicas especializadas desde a antigüidade, por povos como os Mochica, por exemplo. A sobrevivência está comprovada pela cicatrização das lesões, e muitas trepanações cranianas chegavam a ser feitas num mesmo indivíduo, como comprovam alguns crânios encontrados no Peru. A sutura cirúrgica, feita com fios de cabelo, e as próteses para substituir o osso removido pela cirurgia são descobertas surpreendentes dessas cirurgias pré-históricas.
A recuperação das doenças, a natalidade e a mortalidade no grupo, ou as limitações deixadas pelas seqüelas dos acidentes, podem ser estudados num grupo pré-histórico. Isso permite analisar também se os grupos do passado eram capazes de assegurar a sobrevivência dos doentes e feridos incapazes de prover seu próprio sustento.
Ao associar todos os dados que se pode obter sobre a biologia humana em um período pré-histórico, e os dados sobre o seu contexto ambiental e cultural, pode-se desenvolver estudos bioculturais, que ajudam a correlacionar os conhecimentos sobre saúde, ambiente e modo de vida no passado.
