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Foto aumentada de um crânio com fratura frontal.

Paleopatologia

O Estudo da Doença no Passado

Que mais podemos saber dobre as doenças na pré-história?

A imagem mostra, em close, fração do crânio onde se veem as órbitas oculares com manchas pretas e a cavidade nasal.
Crânio pré-histórico de adulto feminino proveniente de Huacho, Peru, com cribra orbitália, lesão ativa no alto das órbitas, que indica quadros geralmente associados à anemia. (Coleção de imagens didáticas do Museu de San Diego)
A imagem mostra ossos da coluna e quadril
Parte do esqueleto de um esquimó adulto da ilha de St.Laurence, Alaska, mostrando ossos com fusão causada por espondilite anquilosante. Período histórico. (Coleção de imagens didáticas do Museu de San Diego)
A imagem mostra um fêmur radiografado.
Linhas de Harris na radiografia de um fêmur humano de adulto encontrado no Grande Abrigo de Santana do Riacho, Minas Gerais, Brasil, pertencente à população antiga de Lagoa Santa. Estes sinais indicam que o indivíduo esteve doente, parou de crescer, e depois voltou a crescer normalmente. (Foto de S. Mendonça de Souza / Museu de História Natural UFMG)

Muitos sinais de que o organismo teve problemas podem ser percebidos nos ossos e dentes.

A maior parte deles não serve para diagnosticar problemas específicos, mas mostra o que se chama sinais de estresse biológico: infecções, períodos de fome ou problemas graves de saúde tais como acidentes.

A redução de ferro no organismo pode ter diferentes causas e levar a uma forma de anemia. Sua existência pode ser identificada por áreas porosas que se formam no crânio. Podem indicar anemias hereditárias, como a talassemia e a anemia falciforme, ou até infecções e parasitoses crônicas.

Paradas temporárias de crescimento do organismo, e sua recuperação, podem ser identificadas pela presença de linhas de Harris, visíveis nas radiografias dos ossos longos.

Sinais de inflamação da superfície dos ossos, ou periostites, podem indicar traumatismos locais ou infecções gerais no organismo.

Tumores, malformações congênitas e muitas outras condições são conhecidas hoje para muitas populações pré-históricas.

Práticas cirúrgicas como as trepanações cranianas, a extração dentária, e as amputações foram realizadas com facas de metal e pedra. O seu estudo mostra a habilidade médica e o uso engenhoso de técnicas especializadas desde a antigüidade, por povos como os Mochica, por exemplo. A sobrevivência está comprovada pela cicatrização das lesões, e muitas trepanações cranianas chegavam a ser feitas num mesmo indivíduo, como comprovam alguns crânios encontrados no Peru. A sutura cirúrgica, feita com fios de cabelo, e as próteses para substituir o osso removido pela cirurgia são descobertas surpreendentes dessas cirurgias pré-históricas.

A recuperação das doenças, a natalidade e a mortalidade no grupo, ou as limitações deixadas pelas seqüelas dos acidentes, podem ser estudados num grupo pré-histórico. Isso permite analisar também se os grupos do passado eram capazes de assegurar a sobrevivência dos doentes e feridos incapazes de prover seu próprio sustento.

Ao associar todos os dados que se pode obter sobre a biologia humana em um período pré-histórico, e os dados sobre o seu contexto ambiental e cultural, pode-se desenvolver estudos bioculturais, que ajudam a correlacionar os conhecimentos sobre saúde, ambiente e modo de vida no passado.

 

A imagem apresenta um crânio de frente, sem mandíbulas.
Crânio pré-histórico de mulher adulta do período Chavin, do Peru, com desenvolvimento de osso esponjoso de natureza tumoral. (Coleção de imagens didáticas do Museu de San Diego)
Foto de um osso fino com grande relevo disforme na ponta.
Tumor do tipo osteossarcoma encontrado na costela de um homem jovem, de Cadiz, Espanha, datado de cerca de 200 anos atrás. (Foto de M. M. López / Paleopathology Newsletter)


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