A violência é um fenômeno moderno?
Através das imagens representadas nos objetos, ferramentas e armas, e através do estudo dos ossos, que mostram golpes e ferimentos, vem sendo reformulado o conceito de que algumas sociedades do passado viviam pacificamente.
Rixas e disputas poderiam ser causadas pelo domínio de recursos e território, pelo desejo de poder político ou social, ou por outras causas, que estariam presentes no passado, assim como existem hoje.
Não eram raros os desentendimentos entre indivíduos de um mesmo grupo, principalmente em sociedades hierarquizadas. Ofensas pessoais, brigas domésticas, raptos de mulheres, ou execução de crianças, jovens e prisioneiros estão entre as modalidades de violência mais associadas aos grupos pré-históricos.
Guerras, deslocando verdadeiros exércitos, ou ataques rápidos de pequenos grupos, geram cenários de violência que podem resultar em sítios arqueológicos de batalha e morte, como Guararapes, no Brasil. Em outros casos, os esqueletos dos cemitérios convencionais, mostrando grande número de traumas e perfil de mortalidade peculiar, se explicam pela existência de violência.
Muito do que podemos interpretar hoje como violência relacionava-se aos contextos rituais e religiosos.
Os sacrifícios humanos, em algumas sociedades como Maia e Inca foram numerosos. Lutas rituais estão descritas para os Mochica e outros grupos andinos. Esportes violentos e competições rituais são usados como provas para chegar a determinadas posições sociais. Diferentes tipos de atitude violenta podem explicar traumatismos encontrados em materiais pré-históricos.
Fraturas de crânio e face, fraturas do tórax, marcas de cortes e partes de armas ainda presas aos corpos, bem como a alta mortalidade de homens jovens, são alguns dos indícios universais de violência.
