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Foto aumentada de um crânio com fratura frontal.

Paleopatologia

O Estudo da Doença no Passado

O que há para se estudar?

A foto revela um esqueleto ainda vestido, com cabelos longos e trançados. A ossada é de uma pessoa que estava sentada no chão, próxima a vasilhas.
Corpo de mulher, conservado por mumificação natural, encontrado em túmulo no deserto de Atacama, Chile. Seus cabelos, pele, órgãos internos, roupas e pertences também se conservam, oferecendo material de estudo. (Museu "Le Paige", Universidad del Norte)

Ossos e dentes são órgãos calcificados, são partes do corpo que podem estar preservados, mesmo depois de enterrados por longo tempo.

Mais raramente também se preservam, de modo natural, ou por artifícios humanos, outras partes não calcificadas que podem ficar mumificadas. Evidências mais raras são coprólitos (fezes dessecadas ou fossilizadas), cabelos, unhas, cálculos biliares e cálculos renais. Todos têm grande interesse para os especialistas em doenças antigas.

Músculos, pele, intestinos e até o cérebro podem conservar-se naturalmente.

São achados geralmente em condições extremas: em clima seco e frio, nas geleiras, no interior de pântanos, em turfeiras, nas areias secas do deserto, em terrenos com muito sal ou em outras condições onde a decomposição é interrompida ou desacelerada.

Muitas vezes quase não resta nada para estudar.

Um bom trabalho depende de uma boa escavação, cuidadosa, bem documentada, já que cada detalhe sobre o enterramento pode ser uma pista. Registrar minuciosamente e adequadamente, transportar com cuidados especiais, tratar e conservar em laboratório, e analisar com recurso como as diferentes técnicas de microscopia ótica e eletrônica, a radiografia, a tomografia computadorizada ou empregar técnicas bioquímicas para identificação do DNA ou de outros componentes orgânicos são alguns dos passos de trabalho que os detetives das doenças podem dar.

Nesta foto vê-se um homem de costas para a câmera, agachado e escavando fração de terra.
Retirada de coprólitos, ou fezes humanas preservadas, de uma camada arqueológica para estudos de parasitas pré-históricos. (Foto de A. Araújo)
A foto traz um homem sentado à bancada observando através de um microscópio.
Exame de material extraído de coprólitos, com auxílio de lupa binocular, para a investigação de parasitas intestinais pré-históricos.(Foto de A. Araújo)
A foto apresenta marcas de ossos incrustadas no chão ou em uma rocha.
Corpo de criança parcialmente conservado por mumificação natural, encontrado dentro de uma urna cerâmica, no sítio Toca dos Caboclos, Piauí, Brasil. Embora estes achados sejam raros no Brasil, aqui os cabelos e parte da pele se conservaram, permitindo estudos especializados. (Foto de S. Mendonça de Souza / FUMDHAM)

No Brasil, os climas e os solos nem sempre favorecem a preservação.

Muitos esqueletos pré-históricos vêm de locais ricos em sais de cálcio, como os sítios arqueológicos de tipo sambaqui ou as grutas calcáreas; ou então de terrenos muito secos, como o sertão semi-árido da região nordeste do Brasil.

Algumas escavações arqueológicas, permitindo boa contextualização e centenas de sepulturas, asseguram muitas informações sobre o período estudado. Em tais casos, se constituem coleções numerosas e representativas de populações desaparecidas e de suas condições de saúde.

A obtenção de tais materiais permite abordagens paleoepidemiológicas.

A pesquisa das doenças do passado hoje é baseada em hipóteses claras de trabalho e no planejamento de coletas oportunas de amostras. Seus resultados são ricos em dados e os materiais, em geral, podem ser mais bem aproveitados.

Na arqueologia americana, a predominância absoluta de achados pré-históricos, ou seja, que não podem ser associados a uma documentação escrita, obriga a que se desenvolvam estratégias de pesquisa que aumentem a segurança na leitura dos testemunhos funerários que não podem ser correlacionados à história escrita.

A foto aponta nove dentes enfileirados sobre tecido azul.
Dentes humanos pré-históricos encontrados na Toca dos Ossos, Parati, Rio de Janeiro, Brasil, mostrando abrasão, hipoplasias e sulco interdental. (Foto de D. C. Cook)


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