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Foto aumentada de um crânio com fratura frontal.

Paleopatologia

O Estudo da Doença no Passado

O que é paleopatologia?

A imagem mostra uma radiografia de um crânio de perfil.
Radiografia de um crânio pré-histórico da Base Aérea de Florianópolis, mostrando hiperostose frontal interna, uma alteração de causa desconhecida que modifica a parte interna do osso frontal. (Foto de S. Mendonça de Souza / Museu do Homem do Sambaqui)

No século XVIII, a primeira descrição do que parecia ser um tumor ósseo em um fêmur de urso extinto das cavernas da Europa inaugura os estudos em paleopatologia.

Naquele início dos estudos, os animais da fauna extinta quaternária receberam grande atenção dos paleopatologistas.

No início do século XIX foram achados os primeiros esqueletos humanos fossilizados na Europa e no Brasil, entre os quais alguns crânios de Lagoa Santa, Minas Gerais.

Os antropólogos, paleontólogos e arqueólogos, com a ajuda de patologistas como Rudolf Virchow, perceberam então a possibilidade de investigar a antigüidade do sofrimento humano. Fraturas ósseas eram interpretadas como indícios de violência e primitivismo. Certas infecções que preocupavam a humanidade, como a tuberculose e a sífilis, passaram a ser estudadas nos exemplares pré-históricos.

Embora muito tenha sido realizado desde então, a paleopatologia, como tantas outras áreas de pesquisa científica, mudou ao longo do século XX.

Inicialmente, este estudo respondia ao desafio de diagnosticar as doenças que existiam no passado. Fundamentado em técnicas e modelos da anatomia patológica, o estudo de patologias pré-históricas procurava identificar mutilações, anomalias, infecções, tumores, traumas e outros problemas de saúde, levando em conta as lesões mais características causadas por cada condição analisada.

Posteriormente, os paleopatologistas passaram a usar em sua análise também os aspectos epidemiológicos das doenças.

A mortalidade, as diferentes manifestações de uma mesma doença, sua distribuição nos indivíduos de diferentes níveis sociais, nos dois sexos, nas diferentes idades, em diferentes regiões ou em diferentes períodos eram comparados. O diagnóstico não era mais baseado apenas no aspecto da lesão.

O impacto sobre as populações afetadas e as relações bioculturais das diferentes condições de saúde passaram também a ser mais valorizadas. Ernest Hooton, na década de 30, e Lawrence Angel na década 60, abriram novas perspectivas para a paleopatologia.

O estudo dos processos de saúde e de doença, hoje, é um fértil e complexo campo de conhecimentos em construção.

Fotografia de um crânio de frente, porém sem as mandíbulas e os dentes.
Crânio com cerca de 2.000 anos proveniente do cemitério da Furna do Estrago, mostrando perda total dos dentes e reabsorção acentuada do osso alveolar. (Foto de S. Mendonça de Souza / Museu de Arqueologia UNICAMP)
Fotografia de um osso do corpo humano.
Mandíbula humana pré-histórica encontrada na Lapa Mortuária, Confins, Minas Gerais, Brasil, mostrando fratura não consolidada, ou pseudoartrose, no ramo horizontal esquerdo. (Foto de S. Mendonça de Souza / Museu Nacional UFRJ.)

Modelos anátomo-patológicos mais detalhados ou específicos para a expressão óssea de diferentes doenças, modelos paleoepidemiológicos que permitem interpretar os dados funerários, modelos bioculturais que associam cada problema estudado ao seu contexto. Tem havido muito progresso e o avanço de novas técnicas para cronologia, processamento de imagens, análises bioquímicas e outros vêm permitindo que se conheça cada vez mais sobre as doenças do passado.

Admitindo que o corpo de um indivíduo guarda sua história de vida, a paleopatologia vale-se também, cada vez mais atentamente, da osteobiografia para interpretar seus achados. Sendo ossos e dentes os materiais que se preservam melhor, os conhecimentos sobre a biologia destes órgãos do corpo, associando as experiências da antropologia física e da medicina legal, vem permitindo interpretações cada vez mais detalhadas sobre o passado das doenças.

Modelo proposto para explicar a patocenose, ou conjunto de doenças e processos correlatos, encontrados na população pré-histórica brasileira da Furna do Estrago, em Pernambuco.


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