Arqueologia das infecções?
A origem de doenças como a sífilis e a tuberculose já foram motivo de grandes discussões.
Para alguns teriam sido trazidas para a América na época do descobrimento, para outros o contrário, tendo sido levadas da América para a Europa na mesma ocasião.
O comportamento das doenças infecciosas, e os mecanismos que tornam estas doenças problemas coletivos, vem sendo explicados também a partir da paleopatologia. Para os períodos mais recentes, séries históricas de dados referentes a doenças como cólera, meningite, febre amarela ou malária ajudam a reconstituir surtos e epidemias. Para períodos anteriores, textos antigos e achados arqueológicos permitem reconstituir a existência de algumas doenças infecciosas humanas como a brucelose, a tuberculose, a hanseníase, a sífilis, e outras.
Algumas doenças são causadas pela chegada de novos microorganismos, mas a maioria é causada pelas mudanças de condições de vida e saúde do grupo.
Muitas doenças infecto-contagiosas, principalmente virais, emergem quando mudanças importantes ocorrem na vida da população: o contato com gente vinda de outras terras, como na época da colonização; as mudanças econômicas e da dieta, como no período de expansão da agricultura; a introdução de práticas comerciais e de trocas de produtos; a mudança da vida nômade para uma vida sedentária; a ocorrência das guerras ou dos períodos de fome.
A tuberculose pulmonar, por exemplo, já existia entre os grupos pré-históricos americanos.
Há mais de três mil anos nas montanhas dos Andes, na América do Sul, a tuberculose pulmonar já causava a morte de adultos e crianças. Embora a doença existisse em diferentes lugares, ela só se tornava um problema importante para a população quando muitos adoeciam.
Tal como hoje em dia, o aumento do número de casos da tuberculose era favorecido pela aglomeração das pessoas em cidades, pela sua permanência em ambientes mal iluminados e mal ventilados, e por más condições de nutrição. Em muitos grupos pré-históricos americanos, a tuberculose tornou-se uma doença grave, chegando a matar muitos indivíduos, em momentos de crises econômicas ou políticas.
As doenças infecciosas cuja causa não pode ser claramente identificada são mais difíceis de serem diagnosticadas e interpretadas.
As alterações inflamatórias dos ossos, na forma de periostites e osteomielites, são percebidas a partir da formação de tecido ósseo e da sua reorganização anatômica, e também da formação de cavidades, ou cloacas, que resultam da morte de partes ósseas e sua eliminação.
As infecções representam episódios de grande estresse para o organismo, e chega a ter conseqüências sobre o organismo como um todo.
