Estudar o passado das doenças?
A leitura de antigos textos traz conhecimentos diretos sobre a saúde.
No Antigo Egito, há milhares de anos, papiros médicos ensinavam a fazer o diagnóstico e o tratamento de muitas doenças, entre as quais algumas que ainda hoje afetam a humanidade como a meningite, a esquistossomose e o tétano. A Bíblia, como outros livros sagrados, traz prescrições sanitárias entre os seus códigos de conduta.
Os conhecimentos guardados pela tradição oral de cada povo também informam sobre as práticas de saúde, e relatam doenças e suas supostas causas.
Os estudos dos documentos históricos, assim como os registros antropológicos, permitem conhecer alguns aspectos da saúde dos grupos humanos em diferentes culturas. Reunindo estes dados podemos entender alguns processos de saúde e doença no tempo e no espaço.
O estudo de objetos de arte também pode revelar imagens relativas à saúde.
Cerâmicas, pinturas, esculturas, constituem rica iconografia sobre doenças, lesões traumáticas, modificações intencionais ou mutilações do corpo, ou cirurgias. Tais objetos fornecem instantâneos sobre as ações que afetavam a saúde e a sobrevivência, e sobre as práticas médicas e curativas feitas por grupos humanos de diferentes tempos e lugares.
Entretanto, conclusões sobre a existência de doença a partir dos objetos deixados por uma cultura, assim como a interpretação dos textos escritos e tradições orais, exige conhecimentos sobre a medicina de cada época, bem como conhecimentos históricos, antropológicos e conhecimentos sobre o uso das linguagens, dos estilos de arte e sobre o papel das representações.
Epigrafia, iconografia, história oral, são campos de conhecimento que servem para auxiliar o estudo da saúde dos grupos humanos, quando dispomos apenas de seus testemunhos indiretos.
A análise de partes preservadas dos corpos de homens e outros seres vivos, por sua vez, permite estudar diretamente, nos indivíduos ou séries de populações, os sinais de doenças e outros problemas relacionados à saúde.
Nos sítios arqueológicos e paleontológicos podem ser encontrados ossos, dentes, coprólitos e outras partes de organismos preservados que permitem também estudos das questões de saúde. Graças a estes testemunhos, é possível recuar o estudo da doença ao passado mais remoto, anterior à escrita, anterior às representações artísticas, anterior ao próprio homem. É possível investigar a doença onde não se conservaram os escritos, as casas, os objetos ou suas representações. É possível investigar a evolução de algumas doenças e seus agentes causadores.
Ao estudo das doenças no passado dá-se o nome de paleopatologia.
