Viver: adoecer, morrer?
A doença e a morte são parte da própria vida.
Apesar da ilusão ecológica de que a vida, no seio da natureza, é quase o Paraíso, imagens pré-históricas pintadas na pedra mostram cenas de lutas, partos, quedas e outras situações de risco à saúde. Esqueletos arqueológicos mostram indícios de diversas doenças e dentes apresentam cáries e outras lesões. O estudo dos cemitérios mostra que as pessoas viviam menos tempo, em geral até 30 ou 40 anos, e muitas crianças morriam muito cedo. A luta para manter a vida e a saúde é muito antiga.
No final deste milênio, apesar de todo o progresso médico, a humanidade ainda sofre com um grande número de doenças.
Apesar de termos inventado muitos remédios e técnicas de cura, os problemas de saúde parecem cada vez maiores. Na medida em que as pessoas vivem mais tempo, viajam muito, transportam materiais e seres vivos, e ocupam novos ambientes, as mudanças de condições de vida são mais bruscas. O corpo é solicitado a se adaptar a mais e mais mudanças. Surgem novas doenças, e outras, antes controladas, voltam a causar problemas.
Infeções emergentes, como a AIDS, atingem grande número de indivíduos. Doenças antigas como a febre amarela, voltam a crescer.
Tal como fez Oswaldo Cruz no início do século, os pesquisadores dedicam vidas inteiras para encontrar formas de controlar, ou eliminar, as doenças humanas.
Ao lado da medicina científica, práticas curativas populares ainda são transmitidas a cada geração, em geral associadas aos preceitos religiosos. São próprias de cada cultura.
Durante os milênios em que a humanidade vem existindo, sábios, xamãs, pajés e curandeiros dividiram a dura tarefa de melhorar a saúde. Em cada época, os conhecimentos da realidade levaram a estudar causas de sofrimento e morte, a tentar prolongar a vida, e a tentar torná-la mais saudável. Conhecer o modo pelo qual o corpo deixa de funcionar adequadamente originando doenças, anomalias ou lesões é um antigo desafio que acompanha a humanidade. Conhecer a história do adoecimento dos homens é uma preocupação antiga, mas que, como outras ciências, cresceu nos últimos séculos.
