Notícias

Voz das mulheres ganha eco na 5ª edição do cineclube

Evento apoiado pelo Centro Cultural do Ministério da Saúde abordou a luta das mulheres no enfrentamento da violência de gênero

Publicado: 27/03/2025 | 11h14
Última modificação: 27/03/2025 | 11h23

Texto: Alexandre Matos (Ascom Sems/RJ) com edições do CCMS 

 

Elas são maioria entre os profissionais de Saúde e também ocupam os principais cargos de coordenação do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), representatividade nem sempre refletida no serviço público. Diante desse cenário, com o objetivo de discutir o papel feminino na sociedade atual, o DGH promoveu, em parceria com o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), o Cineclube Mês da Mulher, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. 

Realizado na última sexta-feira (21/3), Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, o evento contou com exibição do documentário Nossas lutas, nossas vozes, que aborda a violência política de gênero sofrida por parlamentares mulheres. Após o filme, foi organizada uma roda de conversa sobre o tema, além de oficina e atividade voltada para o bem-estar das profissionais que prestigiaram a iniciativa. 

Adriana Xerez, do Centro Cultural do Ministério da Saúde, participou da abertura do evento representando a coordenadora Fabíola Simoni. Ela ressaltou o papel importante da Sétima arte como ferramenta de reflexão. Pelo Departamento, Josana Alves, ressaltou em sua fala de boas-vindas o papel essencial das mulheres e os desafios a serem superados. 

 

Adriana Xerez comenta sobre a parceria do CCMS em todas as edições do cineclube. Foto: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ)

Roda de conversa 

Para debater as diversas formas de violência e o papel da mulher, foi montada uma roda de conversa, integrada pela coordenadora de pesquisa e roteirista do documentário, Vera Marques; pela enfermeira Eduarda Balduino, pós-graduada em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade; e pela secretária da Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas da Fiocruz, Bárbara Aires de Oliveira. A roda foi mediada pela assistente social Cintia Nery, especialista em Saúde Mental, mestre em Saúde Pública e fundadora do GT de Diversidade e Equidade do DGH, Hospitais Federais e Institutos Nacionais do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro. 

Dentre os desafios para o enfrentamento da violência contra as mulheres, Cintia destacou a necessidade de criar estratégias de apoio à saúde mental de usuárias e trabalhadoras do SUS. “Nós temos o compromisso de promover saúde. Além disso, temos também que elaborar estratégias para ajudar a fortalecer a nossa saúde mental diante dessa luta diária contra a violência que se expressa nas relações, muitas vezes, dentro de casa, ou com colegas de trabalho ou com o usuário que atendemos”, pontuou. 

Durante o encontro, houve interação entre profissionais e convidados. Foto: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ)

Já as convidadas Eduarda Balduino e Bárbara Aires compartilharam suas respectivas histórias de vida, tendo de enfrentar todo o tipo de preconceito por terem coragem de serem quem são numa sociedade machista e transfóbica. Eduarda é mulher trans, coordenadora da área técnica de saúde LGBTQIA+ de Petrópolis, onde implementou o primeiro ambulatório de saúde LGBTQIA+ da região serrana do Rio de Janeiro. Bárbara é travesti, ocupa a Secretaria da Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas da Fiocruz (Cedipa/Fiocruz), é também consultora de gênero e diversidade, atuou como assessora técnica do programa Rio Sem Homofobia, assessora parlamentar e trabalhou em produções culturais. 

Ambas as convidadas enfatizaram que foram silenciadas inúmeras vezes até alcançarem esses lugares de voz. Seus relatos suscitaram debate na plateia. Algumas profissionais presentes partilharam experiências de violência de gênero que, ora tenham vivido, ora testemunhado. 

Violência política de gênero 

Relatos como os delas foram abordados no filme Nossas lutas, nossas vozes, cujo projeto foi esmiuçado pela roteirista Vera Marques, doutora em Ciências Sociais, pesquisadora no Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli da Ensp/Fiocruz e integrante do Programa Mulheres e Meninas na Ciência. O documentário mostra experiências de 11 lideranças políticas femininas de diferentes partidos e regiões do Brasil, que relatam violência de gênero presente em silenciamentos, assédios, ameaças e outras formas dentro da política. O filme revela os efeitos disso na trajetória política e no cotidiano dessas parlamentares, especialmente na saúde física e mental, lançando um olhar crítico sobre as raízes desse comportamento e fatores sociais que se perpetuam. Clique aqui e assista ao filme. 

Dada a importância do tema, foi também montada uma oficina sobre Violência Psicológica, coordenada pela advogada Ana Karolina Ribeiro e pela psicóloga Ana Paula Augusto, representando o Instituto Justiça Delas. Durante a oficina, elas abordaram as conquistas das mulheres brasileiras ao longo dos anos e mostraram formas de violência de gênero, algumas, inclusive, muito sutis. Ao longo da manhã, o público presente também pôde usufruir da sessão de massoterapia, serviço oferecido a partir de uma parceria com a Assist – Associação dos Servidores.  

Ana Karolina Ribeiro (esquerda) e Ana Paula Augusto durante oficina do Instituto Justiça Delas. Foto: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ)