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Trajetórias do Cuidado: a força do SUS diante da pandemia de covid-19
Última modificação: 19/05/2025 | 16h54

Texto: Ascom Ministério da Saúde
Fotos: Rafael Nascimento/MS
Pelas paredes do Espaço Cultural Dona Ivone Lara, o túnel que liga a sede ao anexo do Ministério da Saúde, em Brasília/DF, a história ganha uma cronologia forte, composta de imagens, notícias, poemas e silêncios pelos quais se revive um passado recente, profundo e coletivo. Inaugurada em 16 de maio, a exposição “Trajetórias do Cuidado: a força do SUS diante da pandemia de covid-19” convida as pessoas a explorar esse percurso sensível que homenageia trabalhadoras e trabalhadores da saúde e convoca a sociedade à reflexão.

Exposição Trajetórias do Cuidado: a força do SUS diante da pandemia de covid-19 em cartaz no Espaço Cultural Dona Ivone Lara, no Ministério da Saúde, em Brasília/DF. Foto: Rafael Nascimento/MS
Produzida pelo Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE), a exposição começa no lado esquerdo, no sentido sede-anexo, como quem caminha também na própria lembrança. A curadoria propõe uma narrativa visual com viés fotojornalístico, contextualizando o Brasil no momento da pandemia: o Carnaval, o primeiro caso, o lockdown, as manchetes da imprensa, os impactos, os lutos, a ciência e a chegada da vacina. Uma linha do tempo real, sentida, organizada para emocionar e preservar.
“Essa exposição não é comemorativa. É uma construção de memória. Para que não esqueçamos um período tão doloroso, tão nefasto, que a gente consiga homenagear os colegas que perdemos na pandemia, que foram tão negligenciados e tratados com tanto desdém”, explicou Fabíola Simoni, coordenadora do CCMS.
Do outro lado do túnel, um painel imenso chama o olhar e o coração: é a bandeira do Brasil, metade colorida, metade em preto e branco. Ali, qualquer pessoa que passa pode escrever, em post-its verde, amarelo e azul, sua homenagem a colegas e entes queridos que se foram durante a pandemia. À medida que as mensagens se multiplicam, a bandeira volta a ganhar cor. Um gesto simples, mas profundo: memória que resiste, vida que se reconstrói.

Visitante inclui, no Memorial criado pelo CCMS, o nome de um ente querido que perdeu na pandemia. Foto: Rafael Nascimento/MS
Entre palavras e imagens
A mostra é fruto de uma curadoria coletiva, que reuniu memórias e contribuições de diversos profissionais. A médica e artista Isadora Jochims, que atuou na linha de frente durante a pandemia, relatou sua motivação com sensibilidade: “Uma das minhas maiores angústias, durante esse período, foi a necessidade de registrar essas memórias das histórias que eu ouvia dos outros profissionais da saúde, das histórias que eu estava vendo, principalmente pelo negacionismo que a gente estava vivenciando nesse momento”.
Isadora participa da exposição com uma série de aquarelas e uma poesia que fez durante essa época de dor e preocupação em todo o mundo, ressaltando a importância da ciência, do cuidado, das vidas, e indo contra a narrativa de guerra: “Outra coisa que me gerou muito desconforto foi a narrativa da guerra, que foi utilizada tanto na mídia, na imprensa, por parte dos governantes, pelas autoridades. Então, eu acabei fazendo uma poesia contra essa narrativa”, explica.
Já o fotógrafo Carlos Erbs Júnior emocionou o público com seu relato ao revisitar as imagens da época, que integram a exposição: “Tem uma grande importância e é muito significativo a gente olhar essas imagens cinco anos após tudo o que a gente viveu e sofreu, seja quem estava dentro de casa, na linha de frente do cuidado, na rua, cuidando das vítimas da doença ou registrando esses momentos, como foi meu caso. Me sinto comprometido e responsável por guardar esse acervo, manter essa memória viva. Essas fotos, definitivamente, não são minhas, elas pertencem à humanidade.”
Sobre uma das fotos mais fortes da exposição, uma cruz com a bandeira do Brasil, Erbs conta o que sente: “Essa foto, especificamente, é bastante curiosa, porque a gente já se chocava com 100 mil mortos e estávamos indignados. No entanto, a gente chegou a mais de 700 mil mortos nessa pandemia. Penso nessa cruz com essa bandeira, o quanto o nosso país como nação podia ter feito diferente. Ver tudo isso em imagens é, sem dúvida, para a gente olhar para o futuro e imaginar que a gente não pode cometer os mesmos erros”, concluiu o artista.

Detalhe de uma das obras do fotógrafo Carlos Erbs Júnior. Foto: Rafael Nascimento/MS
A mostra inclui ainda obras do fotógrafo e artista visual José Roberto Bassul, cujas séries “Urbe” e “O Sol Só Vem Depois” traduzem, em imagens, a carga da memória, do pesar e da profunda sensibilidade que permeia toda a mostra.
A força do coletivo
A chefe de gabinete Eliane Aparecida da Cruz destacou a importância de manter viva a memória coletiva da pandemia: “Lembrar é fundamental para que a gente nunca mais enfrente um momento difícil como aquele, com tanto sofrimento e fake news. Esse túnel é um registro da força e do tesouro que é o trabalho dos profissionais de saúde no nosso país”, afirmou.
O representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Morales, destacou a importância simbólica da iniciativa, ressaltando a coragem dos profissionais: “Cinco anos atrás, o mundo todo começou a viver essa história, que foi o desafio de saúde pública mais importante, que inspirou um século. Fomos testemunhas de coragem desses trabalhadores anônimos que começaram a cuidar de nós sem sequer saber como realmente poderíamos sair desse desafio. Agora temos a tecnologia, temos a experiência, temos a vacina e temos também esse sentimento de que, quando estamos juntos, podemos superar esses desafios, mesmo quando são maiores do que podemos imaginar.”
A servidora Fernanda Almeida, que integrou as primeiras reuniões do Centro de Operações de Emergência, também emocionou os presentes com seu depoimento: “É difícil falar sem se emocionar. Era muito sofrido ver a saúde negligenciada, sem governo. Sem o Ministério da Saúde que de fato se ocupasse da vida das pessoas. Então foi bastante difícil. Eu fico muito comovida de ver esse momento, de estar aqui agora, em outra circunstância, com um governo que se importa com a vida das pessoas, com o ministro que está aqui para, de fato, cuidar das pessoas.”
A exposição está aberta à visitação no Espaço Cultural Dona Ivone Lara, na sede do Ministério da Saúde, em Brasília/DF. Mais que um convite à contemplação: é um chamado à lembrança, à gratidão, e à continuidade do cuidado.
Confira mais fotos da exposição aqui.