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Terceira edição do Cineclube promove debate sobre saúde mental

Evento apoiado pelo CCMS teve exibição de filmes, mesa-redonda, oficina de poesia e atividades paralelas

Publicado: 27/01/2025 | 15h35
Última modificação: 27/01/2025 | 16h07

Texto: Ascom Sems/RJ com edições do CCMS

Fotos: Alexandre Brum/Sems/RJ

 

Em parceria com o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE), aconteceu, na última quinta-feira (23/1), a terceira edição do Cineclube, o primeiro de 2025. Promovido pelo Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), o evento foi realizado no auditório da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (Sems/RJ) e teve como tema "Janeiro Branco: Saúde mental no contexto hospitalar”. 

A nova edição do projeto contou com uma Oficina de Poesia, conduzida pelo Thiago Grisolia, produtor cultural do CCMS e professor de teoria literária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a partir de uma versão condensada da Oficina Estado de Poesia, de 2020. Ele compartilhou a experiência do projeto durante a pandemia, lembrando como os encontros on-line se tornaram um importante espaço de escuta para alguns profissionais de saúde de todo o Brasil. Grisolia propôs a criação de um poema coletivo com os presentes, usando como disparador as palavras “união” e “isolamento” (leia o poema ao fim da notícia). 

 

Thiago Grisolia conduziu a criação de um poema coletivo. Foto: Alexandre Brum (Sems/RJ)

A programação teve início com a exibição do documentário "Na Linha de Frente" (2020), dirigido por Iberê Carvalho e realizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Coren). Em seus 26 minutos, o filme expõe as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem durante a pandemia de covid-19, revelando problemas como falta de recursos, jornadas exaustivas e baixa remuneração. 

Na sequência, foi reproduzido o curta-metragem "Escutas" (2022), de Wagner de Oliveira. Nos seus sete minutos, o filme retrata uma comunidade fragilizada pela violência através das vivências de usuários e funcionários da Clínica da Família Augusto Boal. O curta é uma versão reduzida do documentário de mesmo nome produzido pela VideoSaúde Distribuidora, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Depois das exibições, o evento contou com uma discussão mediada pelo assessor da Superintendência de Saúde Mental do Município do Rio de Janeiro, Paulo Pontes. A mesa-redonda foi composta por Hugo Fagundes, superintendente de Saúde Mental do Município do Rio; Wagner de Oliveira, diretor do curta "Escutas" e editor executivo do Selo Fiocruz Vídeo; e Magda Costa Barreto, mestre em Serviço Social e assistente social da Rede de Atenção Psicossocial do Município do Rio. 

 

A mesa de debate após o filme foi composta por (da esquerda para a direita): Hugo Fernandes, Wagner de Oliveira, Magda Costa Barreto e Paulo Pontes. Foto: Alexandre Brum (Sems/RJ)

Durante a discussão, foram apresentadas iniciativas de saúde mental do Município do Rio e da Fiocruz. A conversa sobre os filmes teve participação ativa da plateia, que compartilhou experiências pessoais e ressaltou a importância dos equipamentos públicos de atenção psicossocial. 

Entre os participantes estava Ilca Maria Nascimento, enfermeira do Hospital Federal de Ipanema (HFI), que participava pela primeira vez do Cineclube. Tocada pelo filme "Na Linha de Frente", ela compartilhou suas memórias da pandemia: "A gente não sabia muito sobre a doença no começo. Vários colegas acabaram abandonando seus postos, muitos ficaram doentes, outros faleceram. Foi muito difícil". Com emoção, Ilca recordou a perda de um colega do HFI, que faleceu após rápida internação no CTI, apenas um dia depois de terem conversado por telefone. "Certamente participarei das próximas edições do Cineclube", afirmou. 

Atividades paralelas 

Paralelamente ao evento principal, duas atividades complementares enriqueceram a programação. No anexo do auditório, foi apresentada a experiência em realidade virtual "Travessia Pelo Mundo das Imagens" (2024), dirigida pelo servidor da Agência Nacional do Cinema (Ancine) Alexandre Muniz. 

 

Participantes do evento assistem "Travessia Pelo Mundo das Imagens" em óculos de realidade aumentada. Foto: Alexandre Brum (Sems/RJ)

Nascida a partir de uma pesquisa de mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a obra de Muniz proporciona um passeio pelo Espaço Travessia, instalado em uma antiga enfermaria psiquiátrica no Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro. O filme alterna entre a história do artista Edson Luis Antunes, ex-interno transformado pela abordagem da arte terapêutica, e o impactante pensamento da psiquiatra Nise da Silveira. 

Completando a programação, a exposição itinerante "O que nunca deveria ter sido: manicômio" foi montada no hall do térreo e no décimo andar do prédio SEMS/RJ. Realizada pelo Projeto Tabuleta Itinerante e Espaço Travessia do Instituto Municipal Nise da Silveira, a mostra traz obras de artes visuais de diversos artistas e evidencia como as instituições de saúde mental, criadas sob o pretexto de tratar a "loucura", transformaram-se em espaços de exclusão e violação de direitos desde o século XVIII. A exposição fica em cartaz até o dia 31 de janeiro. 

 

Exposição itinerante "O que nunca deveria ter sido: manicômio", do Instituto Nise da Silveira. Foto: Alexandre Brum (Sems/RJ)

Poema criado coletivamente durante a oficina  

Não deixe que o isolamento 

Esfrie seu coração 

E nem que o sofrimento 

Deixe de ser um alento 

E te esqueça da loucura da paixão 

Passamos pelo confinamento 

À base de oração 

Façamos desse momento 

Um momento de união