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Saúde com Arte: CAPS II Samaúma (AC)

Unidade de Rio Branco oferece tratamento humanizado de saúde mental usando arte e cultura

Publicado: 06/08/2020 | 10h56
Última modificação: 06/10/2020 | 08h43

Na série “Saúde com Arte”, o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) divulga iniciativas espalhadas pelo Brasil que unam cultura, arte e saúde. No quinto texto da série, conversamos com a psicóloga Emelym Daniela Souza, coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial do Município de Rio Branco (Caps II Samaúma). A unidade, ligada à Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (AC), utiliza arte e cultura como instrumento de inclusão e tratamento para usuários de saúde mental.

Se você faz parte ou conhece algum grupo que dissemina cultura, saúde e arte pelo Brasil, envie um e-mail para nós: ccms@saude.gov.br 

 

Fotos: Acervo CAPS II Samaúma

“Olhar para o ser humano além do seu diagnóstico”. Com esse lema, o Centro Pssicossocial de Rio Branco, o CAPS II Samaúma, atua desde 2018 no bairro Morada do Sol, oferecendo tratamento humanizado para usuários de saúde mental. A unidade, ligada à Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (AC) oferece, além dos recursos terapêuticos tradicionais, uma gama de atividades como oficinas de música, dança, arteterapia e outras Práticas Integrativas e Complementares (PICS).

- O CAPS nasce de um esforço de várias pessoas que entendem que uma forma digna de tratamento da saúde mental, além da intervenção medicamentosa, é muito mais eficiente e resolutiva - explica a psicóloga Emelym Daniela Souza, coordenadora da unidade.

O CAPS II Samaúma foi inaugurado em novembro de 2018 e já realizou milhares de atendimentos. De acordo com a psicóloga, antes mesmo da inauguração, a arte e a cultura já estavam presentes na forma como se pensava a unidade. A prova está na fachada do prédio, com uma imagem de Nise da Silveira, psiquiatra brasileira que revolucionou o tratamento mental no Brasil a partir dos anos 1940, e quem serve de inspiração para a atuação e planejamento das ações do Centro.

Além das oficinas semanais fixas (como as de dança, música e arteterapia), a unidade realiza atividades pontuais como saraus, festas de Carnaval e a comemoração de outras datas importantes. Todos esses eventos têm a participação central dos usuários, desde o planejamento até a execução. Para Emelym Daniela, isso é fundamental para que o próprio usuário se sinta como peça-chave do seu processo terapêutico.

- Nosso principal objetivo é olhar para a pessoa e não para o diagnóstico que ela está apresentando. Um grande erro na área de saúde mental é enquadrar o indivíduo pelo CID (código internacional de doença) e isso se reflete na forma que ele próprio e sua família se enxergam. Preferimos olhar o usuário como uma pessoa que, naquela fase da vida, está apresentando alguns sintomas, mas sabendo que ela pode mudar, evoluir - destaca a coordenadora.

O resultado dessa abordagem fala por si. Não são poucas as pessoas que chegam à unidade com quadros graves de crise e, quando são encaminhadas para as atividades artísticas e integrativas, apresentam pronta melhora, chegando a não precisar mais do atendimento médico tradicional. Não à toa, mesmo os usuários mais resistentes à princípio, acabam percebendo rapidamente as melhorias que as atividades proporcionam à sua qualidade de vida. 

Profissionais “fora da caixinha”

O Caps II Samaúma possui uma equipe formada por médicos, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que realizam tratamento clínico e formam grupos terapêuticos tradicionais. Porém, uma das grandes preocupações da unidade, de acordo com a coordenadora, é que os profissionais de saúde não se prendam somente às suas funções. Isso é importante não só para expandir os limites do que a unidade pode oferecer aos usuários, mas para a própria motivação do profissional. Por isso, a maior parte das oficinas culturais são ministradas pelos funcionários do Centro.

- A oficina de música é mediada por uma psicóloga. As aulas de dança, também por um psicólogo. A responsável pela arteterapia é uma profissional de serviço social. O CAPS sempre teve esse olhar para que o profissional estenda sua atuação para além das fronteiras da sua função - explica Emelym Daniela.

O CAPS II Samaúma vem enfrentando atualmente o seu maior desafio nos seus quase dois anos de existência: a pandemia da COVID-19. Apesar das limitações causadas pela necessidade de distanciamento social, a unidade continua monitorando os usuários de forma remota, por telefone, e realizando atendimentos de urgência, em casos de crise. O Centro estuda ainda como poderá realizar as atividades culturais de maneira remota, para que os usuários não percam os seus benefícios.

Qual conselho você daria para alguém que deseja iniciar um projeto de arte, cultura e saúde pelo Brasil?

Primeiramente não parar com a justificativa de esperar um momento melhor. O momento melhor é agora. É preciso articular com pessoas e centros que podem se tornar parceiros. Os usuários, que estão diretamente envolvidos, precisam ser ouvidos em todas as fases de criação até a execução dos projetos. Os envolvidos precisam se sentir pertencentes a tudo!

 

Mesmo os usuários mais resistentes à princípio, acabam percebendo rapidamente as melhorias que as atividades proporcionam à sua qualidade de vida.

"O CAPS nasce de um esforço de várias pessoas que entendem que uma forma digna de tratamento da saúde mental, além da intervenção medicamentosa, é muito mais eficiente e resolutiva"

Além das oficinas semanais fixas, a unidade realiza atividades pontuais como saraus, festas de Carnaval e outras comemorações.