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Saúde com Arte: CAPS II Samaúma (AC)
Última modificação: 06/10/2020 | 08h43

Na série “Saúde com Arte”, o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) divulga iniciativas espalhadas pelo Brasil que unam cultura, arte e saúde. No quinto texto da série, conversamos com a psicóloga Emelym Daniela Souza, coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial do Município de Rio Branco (Caps II Samaúma). A unidade, ligada à Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (AC), utiliza arte e cultura como instrumento de inclusão e tratamento para usuários de saúde mental.
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Fotos: Acervo CAPS II Samaúma
“Olhar para o ser humano além do seu diagnóstico”. Com esse lema, o Centro Pssicossocial de Rio Branco, o CAPS II Samaúma, atua desde 2018 no bairro Morada do Sol, oferecendo tratamento humanizado para usuários de saúde mental. A unidade, ligada à Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (AC) oferece, além dos recursos terapêuticos tradicionais, uma gama de atividades como oficinas de música, dança, arteterapia e outras Práticas Integrativas e Complementares (PICS).
- O CAPS nasce de um esforço de várias pessoas que entendem que uma forma digna de tratamento da saúde mental, além da intervenção medicamentosa, é muito mais eficiente e resolutiva - explica a psicóloga Emelym Daniela Souza, coordenadora da unidade.
O CAPS II Samaúma foi inaugurado em novembro de 2018 e já realizou milhares de atendimentos. De acordo com a psicóloga, antes mesmo da inauguração, a arte e a cultura já estavam presentes na forma como se pensava a unidade. A prova está na fachada do prédio, com uma imagem de Nise da Silveira, psiquiatra brasileira que revolucionou o tratamento mental no Brasil a partir dos anos 1940, e quem serve de inspiração para a atuação e planejamento das ações do Centro.
Além das oficinas semanais fixas (como as de dança, música e arteterapia), a unidade realiza atividades pontuais como saraus, festas de Carnaval e a comemoração de outras datas importantes. Todos esses eventos têm a participação central dos usuários, desde o planejamento até a execução. Para Emelym Daniela, isso é fundamental para que o próprio usuário se sinta como peça-chave do seu processo terapêutico.
- Nosso principal objetivo é olhar para a pessoa e não para o diagnóstico que ela está apresentando. Um grande erro na área de saúde mental é enquadrar o indivíduo pelo CID (código internacional de doença) e isso se reflete na forma que ele próprio e sua família se enxergam. Preferimos olhar o usuário como uma pessoa que, naquela fase da vida, está apresentando alguns sintomas, mas sabendo que ela pode mudar, evoluir - destaca a coordenadora.
O resultado dessa abordagem fala por si. Não são poucas as pessoas que chegam à unidade com quadros graves de crise e, quando são encaminhadas para as atividades artísticas e integrativas, apresentam pronta melhora, chegando a não precisar mais do atendimento médico tradicional. Não à toa, mesmo os usuários mais resistentes à princípio, acabam percebendo rapidamente as melhorias que as atividades proporcionam à sua qualidade de vida.
Profissionais “fora da caixinha”
O Caps II Samaúma possui uma equipe formada por médicos, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que realizam tratamento clínico e formam grupos terapêuticos tradicionais. Porém, uma das grandes preocupações da unidade, de acordo com a coordenadora, é que os profissionais de saúde não se prendam somente às suas funções. Isso é importante não só para expandir os limites do que a unidade pode oferecer aos usuários, mas para a própria motivação do profissional. Por isso, a maior parte das oficinas culturais são ministradas pelos funcionários do Centro.
- A oficina de música é mediada por uma psicóloga. As aulas de dança, também por um psicólogo. A responsável pela arteterapia é uma profissional de serviço social. O CAPS sempre teve esse olhar para que o profissional estenda sua atuação para além das fronteiras da sua função - explica Emelym Daniela.
O CAPS II Samaúma vem enfrentando atualmente o seu maior desafio nos seus quase dois anos de existência: a pandemia da COVID-19. Apesar das limitações causadas pela necessidade de distanciamento social, a unidade continua monitorando os usuários de forma remota, por telefone, e realizando atendimentos de urgência, em casos de crise. O Centro estuda ainda como poderá realizar as atividades culturais de maneira remota, para que os usuários não percam os seus benefícios.
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Qual conselho você daria para alguém que deseja iniciar um projeto de arte, cultura e saúde pelo Brasil? Primeiramente não parar com a justificativa de esperar um momento melhor. O momento melhor é agora. É preciso articular com pessoas e centros que podem se tornar parceiros. Os usuários, que estão diretamente envolvidos, precisam ser ouvidos em todas as fases de criação até a execução dos projetos. Os envolvidos precisam se sentir pertencentes a tudo! |

Mesmo os usuários mais resistentes à princípio, acabam percebendo rapidamente as melhorias que as atividades proporcionam à sua qualidade de vida.

"O CAPS nasce de um esforço de várias pessoas que entendem que uma forma digna de tratamento da saúde mental, além da intervenção medicamentosa, é muito mais eficiente e resolutiva"

Além das oficinas semanais fixas, a unidade realiza atividades pontuais como saraus, festas de Carnaval e outras comemorações.