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Recortes da Inovação: Trabalho remoto
Última modificação: 23/06/2021 | 10h36

“Recortes da Inovação" é uma iniciativa do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) para estimular o compartilhamento de informações e experiências sobre inovação, criatividade e cultura. No nono artigo da série, Edno e Bianca mostram como as medidas de isolamento social trouxeram o trabalho remoto para o centro do debate e como essa mudança pode transformar as relações humanas para o futuro.
“No meio da dificuldade, encontra-se a oportunidade.” (Albert Einstein)
É da natureza do ser humano o convívio em sociedade, pois sempre dependemos física e emocionalmente das conexões fraternais que estabelecemos para criar, sobreviver e evoluir. O que pretendemos trazer para reflexão é justamente um dos desafios da sociedade moderna: pensar como estamos gradativamente redesenhando nossas conexões em tempos de tecnologia avançada e distanciamento social, e como poderá ser o futuro próximo enquanto o modelo de trabalho remoto se confirma como uma realidade possível.
Antes de continuarmos, vale esclarecer que utilizaremos a expressão trabalho remoto para nos referir tanto ao teletrabalho quanto ao home office. Sim, há uma sutil diferença entre eles, que é a liberdade em relação à jornada de trabalho: enquanto no teletrabalho não existe um controle rígido (o importante é a entrega no prazo), no home office o controle de jornada - com horário estabelecido para início, intervalo e encerramento - é feito como se fosse no escritório.
Isso esclarecido, podemos pensar na transformação do cotidiano de muitas pessoas que precisaram se adequar ao modelo de trabalho remoto, impulsionado pela nova realidade trazida pela pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social. O assunto estimula o debate através de diversos prismas, mas tentaremos nos concentrar em alguns deles aqui, começando pela perspectiva do convívio profissional. Resgatando a ideia inicial de que somos seres sociáveis e de que dependemos um do outro para criar e evoluir, a tecnologia seria capaz de substituir o contato físico e a forma como nossas vidas se entrelaçam?
Muito se fala sobre perda de integração no modelo remoto, se comparado ao trabalho presencial em equipe. No entanto, devemos lembrar de que existem perfis diferentes de pessoas. Algumas sentem necessidade de aproximação física, outras se satisfazem com o contato remoto que a tecnologia atual permite ou, ainda, se sentem mais confortáveis equilibrando as duas práticas. De qualquer forma, os recursos tecnológicos (como o Microsoft Teams, Zoom, Google Meet, Miro, entre tantas outras) se fazem presentes no cotidiano e precisarão ser usados, em algum momento, mesmo por aqueles que não são muito simpáticos a essa transformação. Mas que saibamos trabalhar juntos, respeitando as individualidades
Nesse sentido, existem muitos fatores internos e externos que podem influenciar a decisão do profissional ou como ele se comporta e se sente. O autoconhecimento é importante, assim como um olhar mais empático para o próximo, inclusive dos gestores sobre sua equipe. Nesse cenário, algumas empresas e órgãos públicos vem adotando o revezamento como opção, disponibilizando recursos e se organizando de forma que a experiência se concretize de forma mais fluída e proveitosa, porque estamos diante de uma realidade que possivelmente não deixará abertura para o retorno integral do modelo de trabalho tradicional que conhecíamos.
Apesar de alguns órgãos públicos terem institucionalizado o trabalho remoto antes mesmo da pandemia, a modalidade ainda pode causar certa estranheza, devido a visões equivocadas acerca do tema, ou pelo receio dos dirigentes públicos frente a disrupção inovadora dos moldes do funcionalismo público. Sim, reconhecemos as muitas fragilidades que existem no serviço público, mas existem casos de sucesso (inclusive de economia de recursos públicos) e é preciso nos espelharmos neles para o esforço não se torne uma experiência frustrada.
Em setembro de 2020 o Ministério da Economia levantou os gastos do governo nos cinco meses anteriores (que correspondem ao período inicial da pandemia, quando muitos precisaram entrar em trabalho remoto por imposição de medidas sanitárias), concluindo que a modalidade beneficiou os cofres público com uma economia na casa de R$ 1 bilhão. Um bilhão! Vamos parar um instante para imaginar as inúmeras possibilidades em que esse valor poderia ser investido, como em áreas finalísticas de atendimento ao cidadão, modernização da máquina pública e benfeitorias para a sociedade...
Em momentos de recursos escassos, como o que vivemos atualmente, uma economia expressiva como essa, considerada isoladamente, já seria um forte estímulo à implantação do modelo remoto, aproveitando uma tendência que se comprova possível. Entretanto, ainda resiste aquela antiga descrença na capacidade do funcionalismo público de inovar, de se modernizar e de acompanhar a evolução das técnicas, dos processos e das ferramentas de gestão. Descrença essa que (infelizmente) também reside no coração triste de muitos servidores públicos, não apenas dos usuários. Hoje, além das conexões, precisamos acreditar e experimentar para evoluir. Esse é o presente, e esse pode ser o futuro.
REFERÊNCIAS
IMAGENS
https://www.pexels.com/pt-br/foto/apartamento-descalco-pe-descalco-navegando-4050436/