Notícias
Recortes da Inovação: Inteligência Emocional na pandemia
Última modificação: 19/03/2021 | 12h52

“Recortes da Inovação" é uma iniciativa do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) para estimular o compartilhamento de informações e experiências sobre inovação, criatividade e cultura.
“Para o bem ou para o mal, quando são as emoções que dominam, o intelecto não pode nos conduzir a lugar nenhum.” (Daniel Goleman)
E de repente o mundo parou. Fomos surpreendidos por uma pandemia provocada pelo vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, mais conhecido como “novo” coronavírus. Inúmeros questionamentos foram colocados para debate na tentativa de entender o atual cenário e projetar como seria a nova realidade, durante e após esse período. E nesse cenário, nos encontramos tendo que administrar todas as emoções advindas com essa nova realidade: tristeza, medo, incerteza, insegurança...Nesse contexto, a inteligência emocional foi e está sendo fundamental para mantermos de pé a nós mesmos e nossos objetivos.
Mas antes, é preciso entender o que é Inteligência emocional (IE). De acordo com a psicologia, IE é o conjunto de competências relacionadas à capacidade de uma pessoa identificar e lidar com suas emoções pessoais e dos outros. Esse termo ficou mais popular a partir da década de 90, com o lançamento do livro “Inteligência Emocional”, do escritor Daniel Goleman.
Vamos imaginar duas situações comuns: na primeira, uma pessoa que, mesmo se sentindo triste e ansiosa em meio uma pandemia mundial, consegue no final do dia concluir todas as tarefas que havia planejado; na segunda situação, a mesma pessoa, em outro dia, carregando os mesmos sentimentos, se rende à prostração e não conclui nada do que havia planejado. Acredito que todos já estivemos no papel dessas duas pessoas, não é verdade? Por isso, a IE é considerada como uma habilidade que nos permite gerenciar melhor os próprios sentimentos e a forma como agimos na presença deles. Veja, não se trata de bloquear os sentimentos, mas sim perceber a presença deles e saber reagir adequadamente.
Partindo do estudo do conceito de inteligência emocional, grupos de psicólogos, alinhados à visão de Goleman, apontaram quais capacidades seriam necessárias para se viver bem, e concluíram que a IE poderia ser reconhecida pelo domínio de 5 aptidões:
Autoconhecimento
A chave principal, que ensaia um processo gradual de conhecer as próprias emoções, desenvolvendo uma autoconsciência das nossas respostas a cada estímulo.
Autogestão
Desenvolvido o autoconhecimento, o próximo passo é progredir para o autocontrole das emoções que nos incapacitam de reagir adequadamente; é não ficar à mercê dos próprios sentimentos, nos tornando hábeis para lidar com frustrações, ansiedade, tristeza, irritações, fracassos etc.
Automotivação
Trata-se de direcionar o controle emocional para o cumprimento de objetivos, entrando em um estado de fluxo mais produtivo e criativo, e menos impulsivo.
Empatia
É a sutil habilidade de “escutar a emoção” do outro com sensibilidade, gerando uma força altruísta.
Sociabilidade
É a arte de se relacionar, o que requer aptidão para lidar com as emoções das outras pessoas.
Por se tratar de uma habilidade, podemos entender que a IE pode ser evoluída desenvolvendo-se cada um dos seus pilares. Harmonizar emoção e pensamento é um caminho seguro para agir bem em determinadas situações da vida, mas não significa que trilhá-lo seja um processo rápido e fácil, principalmente em momentos em que precisamos lidar com uma enorme carga emocional, como o que estamos vivendo agora, que nos levam a rever tudo o que até então conhecíamos sobre nós mesmos.
Com a escalada da contaminação, em março de 2020, muitos passaram pela experiência de precisar readequar o cotidiano para o enfrentamento do vírus: vida social, vida pessoal, projetos, estudos, rotina profissional...Por aqui, no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), não foi diferente: tivemos que nos adaptar do dia pra noite, levando todo o processo de trabalho para o modelo remoto em domicílio, tendo que utilizar recursos próprios, como computador, energia, rede de dados, etc, tentando adaptar um ambiente de trabalho “razoavelmente adequado” - às vezes na sala de jantar, às vezes no quarto do filho - tendo ainda todos os afazeres domésticos. E conseguimos!
Em 2020, fizemos oficinas virtuais, rodas de conversa por plataformas online, produzimos muito conteúdo para nosso site, fizemos parcerias e continuamos nos adaptando e evoluindo, não só como equipe, mas individualmente. Cada membro da equipe soube respeitar seus limites (autoconhecimento), tivemos que lidar com essa situação completamente adversa mantendo controle (autogestão), a resiliência aflorou em todos, seguimos perseverantes até hoje (automotivação), sentimos o outro, suas dores e anseios (empatia) e seguimos trocando, interagindo e nos ajudando (sociabilidade).
Com tudo isso não poderíamos ter um resultado diferente, e não estamos falando apenas de resultado, entregas não. Estamos falando de uma equipe em harmonia, em união. Como vocês podem ler nos depoimentos abaixo... (clique aqui para ler os depoimentos completos)
"Ter uma autogestão que permita transitar com paciência e consciência do cenário é um desafio diário, importante para adquirir as outras habilidades."
"Foi muito importante perceber que todos os colegas passaram por dificuldades ao longo desse último ano, em momentos diferentes, em intensidades diferentes. Além de tirar o peso de precisar estar sempre 100% bem, isso permitiu que eu tivesse ainda mais respeito pela equipe."
"Penso em autoconhecimento como maior fator existente nesse período pandêmico porque todos fomos, de certa forma obrigados a nos recolher, a parar. Fomos confrontados com o nosso ambiente doméstico e interno. Foi uma oportunidade para olhar-se mais profundamente, tempo para ouvir nossos próprios conflitos, nossas próprias angústias."
"sem dúvida o novo cenário produziu um rearranjo radical de nossa capacidade de se auto-organizar subjetiva e objetivamente. Talvez a aptidão mais afetada tenha sido a automotivação, porque o cenário impôs uma sensação geral de que a situação "é assim mesmo", de que modificá-la está para além de qualquer possibilidade individual."
Mas se a única opção é seguir em frente, que tal estudarmos, nos fortalecermos e tentarmos nos preparar para as imprevisibilidades que virão? Estamos juntos nessa evolução.

REFERÊNCIAS
GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
IMAGENS