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Lançamento do catálogo e roda de conversa marcam o encerramento da exposição que exalta mulheres da saúde

Evento virtual celebrou o sucesso da mostra Dona Ivone Lara e Mulheres da Saúde

Publicado: 13/12/2024 | 17h19
Última modificação: 23/12/2024 | 12h55

Texto: Centro Cultural do Ministério da Saúde

 

O Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE/MS) promoveu, na última quarta-feira, 11 de dezembro, uma roda de conversa virtual para marcar o fim da exposição “Dona Ivone Lara e Mulheres da Saúde”. Embora a mostra tenha sido encerrada, o evento celebrou seu impacto e compartilhou as experiências proporcionadas ao longo de sua exibição, reforçando a relevância das histórias apresentadas.  
 
A roda de conversa consolidou-se como um espaço de troca e reflexão sobre o processo criativo da exposição, abordando desde a pesquisa e curadoria até a produção, projeto gráfico e expografia. Durante o encontro, duas das homenageadas relataram como se sentiram ao serem representadas na mostra, destacando a importância de suas histórias para a construção da memória coletiva. 
 
Baixe aqui o catálogo da exposição 

Fabíola Simoni, coordenadora do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE) e mediadora da roda de conversa, destacou a relevância da mostra. “Além de homenagear Dona Ivone Lara, que é uma mulher renomada tanto na vida artística, como sambista, além de sua louvável carreira como servidora deste Ministério, onde atuou por 37 anos, a exposição também homenageou a força e trajetória de outras 24 mulheres na saúde. A Dona Ivone Lara era uma mulher negra, venceu muitos desafios e mostrou ao mundo que juntos somos mais fortes”.  

Clique aqui e assista à roda de conversa 

 

 

Eva Patrícia Alvares Lopes, coordenadora-geral da CGDI, celebrou o impacto da mostra e a interação com o público. “Estou super emocionada de ter feito parte desse momento. Estamos fechando o ano de uma forma belíssima. Tivemos, pela primeira vez, a participação inédita de estudantes de escolas públicas nas visitas mediadas. E nossa ideia é levar a exposição para outros espaços também. Sempre que eu passava pela exposição alguém estava cantarolando ou dançando e isso é muito gostoso. Quando a exposição foi desmontada ficou a sensação de ‘quero mais’. Portanto, quero parabenizar todos os envolvidos e prestar minha homenagem a todas as mulheres homenageadas e suas famílias”.  
A historiadora Jussara Alves, do CCMS, compartilhou detalhes sobre a pesquisa que embasou a exposição. “A equipe do Centro Cultural foi até a casa em que Dona Ivone Lara morou, onde fomos recebidos com muito carinho e afeto. Nesses dias de imersão, pesquisa e pré-produção, ficamos deslumbrados com o acervo riquíssimo da artista, que inclui roupas, estandartes, documentos, fotos, troféus e o cavaquinho dela: tudo guardado com muito zelo pelos familiares, sobretudo pela Eliana Soares Martins, nora da Dona Ivone Lara. O CCMS digitalizou parte deste acervo para que a memória seja eternizada”.   

O designer Luiz Baltar, responsável pelo projeto gráfico e identidade visual da exposição e do catálogo, explicou a concepção criativa. “Nossa ideia foi transformar a exposição em um grande desfile de escola de samba, com a vida da artista contada como um enredo. Cada etapa da vida era como um carro alegórico. A expografia foi toda pensada nesse sentido”. E completou: “Nosso desejo também era que o batizado do túnel como Espaço Cultural Dona Ivone Lara fosse ativado com samba, tambores, canto e palmas, para que a Dona Ivone Lara, onde estiver, se sentisse convocada para estar neste espaço. Foi muito emocionante!”.  
 
Em seguida, Rajão, do projeto NegroMuro, expressou: "É uma felicidade para o NegroMuro ter pinturas inéditas compondo a exposição e o catálogo. Foi nossa primeira vez participando de uma exposição e nossa segunda experiência fora do estado do Rio de Janeiro. Foi uma maravilha podermos transformar o túnel do Ministério da Saúde em um espaço de memória e celebração de mulheres que foram e são fundamentais na saúde. A Dona Ivone Lara traz, por meio da sua história de vanguarda no samba e na saúde mental, várias outras mulheres”. 
 
Impacto para as homenageadas  
 
Entre as homenageadas, Ana Lúcia Paduello relatou sua surpresa ao ser indicada. “Não me achava tão importante a ponto de estar ao lado de grandes mulheres que conheço e admiro. Muito feliz de saber que minha trajetória impactou outras pessoas. Vivo há 20 anos com uma doença rara e, a partir disso, entrei no Movimento em Defesa do SUS, fundei o GRUPAR-BR, grupo de apoio às pessoas com doenças reumáticas e participei dos conselhos de saúde. Hoje, faço parte da mesa diretora do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e luto pelo SUS. Faço o possível e o impossível para levar informação para todas as pessoas, por meio da participação e do controle social”.  

Estandarte da Ana Lúcia Paduello pintado pelo NegroMuro. Foto: Franklin Paz/MS

Ana Emília Figueiredo de Oliveira também se emocionou com o reconhecimento. “Também foi uma surpresa para mim ser uma das homenageadas. Não trabalhamos para ter reconhecimento, mas porque amamos e acreditamos no que fazemos. O SUS não é só assistência, é também educação, gestão etc. O SUS é uma complexidade muito grande e, sozinho, ninguém faz nada. Sem dúvidas, é uma honra fazer parte desse sistema tão importante”.   

Estandarte da Ana Emília Figueiredo de Oliveira pintado pelo NegroMuro. Foto: Rodrigo Abreu/MS

Resultados e balanço  

Flávia Menna Barreto, da equipe de Comunicação do CCMS, apresentou dados acerca das 19 visitas mediadas, os resultados da pesquisa de público e algumas das reações dos visitantes. Além de destacar indicadores importantes, também relembrou o tour virtual disponível ao público (que pode ser acessado aqui). 

Já Rodrigo Abreu, servidor da CGDI e mediador das visitas mediadas, relembrou: “Quando estávamos na iminência de inaugurar a exposição, descobrimos que havia sido sancionada a lei que institui 13 de abril, dia de nascimento da Dona Ivone Lara, como o Dia da Mulher Sambista. Foi uma grande coincidência e mostra que o universo estava conspirando a favor para que a exposição fosse um sucesso. A repercussão, os resultados e indicadores mostrados também concretizam o sucesso que foi”. Abreu relatou ainda: “Recebemos cinco escolas com a participação de 137 estudantes e foi necessário reformular a maneira como recebemos o público externo. Tivemos que mudar a nossa estratégia, pois receber público mais jovem exige até uma reeducação na forma como mediamos as visitas”.

Visitas mediadas em alusão ao Dia da Estagiária e do Estagiário  

Por fim, a assistente social da Coordenação de Desenvolvimento de Pessoal (Codep) Carla Tereza Lopes Mirandela de Andrade, que atua no Programa de Estágio do Ministério da Saúde, comentou sobre as visitas mediadas promovidas em agosto de 2024, celebrando o Dia dos Estagiários. “Enquanto via a exposição, só pensava que precisava apresentar as mulheres retratadas para as estagiárias e estagiários. Nós mulheres, principalmente negras, fomos muito apagadas das histórias. Essa exposição trouxe visibilidade e protagonismo, algo essencial para todas nós, trabalhadoras do SUS ou não”.