Acaba de ser lançado o livro Como a Antropologia da Saúde pode ajudar a pensar o SUS hoje?, uma obra que promete transformar a maneira como entendemos o Sistema Único de Saúde (SUS). Publicada pela Editora do Ministério da Saúde e parte do projeto Encontros de Cultura, Saúde e Humanidades, a coletânea oferece uma base sólida para novas reflexões e práticas, promovendo uma visão humanizada e inclusiva do SUS. Voltado para profissionais da saúde, estudantes e demais interessados, o livro reúne textos de palestras disponíveis no canal do projeto no YouTube, disseminando conhecimentos valiosos sobre a antropologia da saúde. A obra marca o quarto livro da série, com o quinto já em desenvolvimento.
Baixe aqui o livro.
Confira no
vídeo de lançamento os destaques da publicação através das palavras dos próprios autores.
A publicação nasceu da iniciativa do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE) e do Laboratório Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Antropologia da Saúde, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Liepas/Unirio) e conta com a parceria da Rede Conexão Inovação Pública – RJ. A curadoria é de Ildenê Loula e Rosamélia Cunha.
Composta por 11 ensaios, a obra explora diversas intersecções entre cultura, saúde e antropologia. O ensaio inicial oferece uma análise sobre como a experiência da doença e as práticas terapêuticas não convencionais são vistas através da lente da antropologia da saúde. Outros textos abordam temas como as memórias do encarceramento devido à hanseníase no Brasil, as políticas de saúde para a população cigana e as iniciativas digitais de promoção de saúde em comunidades de baixa renda.
Destacam-se relatos de experiências significativas, como o do Centro de Convivência Antônio Diogo e do Memorial Leprosaria Canafístula no Ceará, e a criação do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (LaISS) na Fiocruz, que combate a exclusão digital. O projeto Eu Quero Entrar na Rede, vinculado ao Centro de Atenção Psicossocial Carlos Augusto Magal, também é retratado, mostrando a integração entre saúde mental e tecnologias de informação.
A publicação ainda discute a luta contra o câncer de colo do útero no Brasil, os desafios do Antropoceno para a saúde planetária e a democratização do SUS através de uma perspectiva decolonial.
Os ensaios coletivos ou individuais são assinados por acadêmicos e profissionais de saúde, oferecendo uma rica diversidade de perspectivas e experiências. Os textos são escritos por: Ana Paula Cavalcante, Tânia Cristina Valente, André Pereira Neto, Bruna Vanessa Dantas Ribeiro, Débora Diniz, Elionária de Lima, Francisco Guedes, Milena Araújo, Rosiane Pereira, Luís Teixeira e Luís Araújo Neto, Renzo Taddei, Stélio Marras, Aluizio Azevedo da Silva Junior, Edilma do Nascimento Souza, Angela Donini, Valéria Wilke.
“Com uma escrita carregada por sotaques, visões de mundo e pertencimentos diversos, os 11 artigos congregam a percepção de um SUS em movimento. Esse mesmo SUS, que salva vidas ao garantir o acesso ao direito à saúde em zonas urbanas e nas distintas paisagens brasileiras fora dos grandes centros, precisa superar uma perspectiva biomédica para se humanizar e encontrar um novo sentido no acolhimento das demandas dos cidadãos”, enfatiza Ildenê.
“A publicação tem o potencial de servir como obra de referência para os debates na área de antropologia da saúde, vindo a se juntar à escassa produção acadêmica brasileira nesse campo do saber”, conta Rosamélia. “A coletânea oferta um embasamento para refletir sobre a complexidade de construir novas formas de pensar e agir no SUS. Aqui fincamos a bandeira da antropologia da saúde como uma das tantas formas possíveis de problematizar, refletir e projetar (e sonhar) esses desafios, para tornar o SUS ainda mais democrático, inclusivo e acessível aos brasileiros”, complementa Rosamélia.
Encontros de Cultura, Saúde e Humanidades
O projeto Encontros de Cultura e Saúde, que posteriormente passou a se chamar Encontros de Cultura, Saúde e Humanidades, foi realizado por um coletivo de trabalhadores e trabalhadoras das áreas de saúde, comunicação, educação e por pessoas com interesse pelo assunto que nele se engajaram. Seus principais objetivos são: fortalecer e defender o SUS por meio da produção de informações relevantes, viabilizando sua difusão e produzir, coletivamente, conteúdos em saúde, cultura e arte, disponibilizando-os como apoio ao fortalecimento do ensino em saúde. As lives seguem disponíveis no canal do YouTube. Confira tudo em: youtube.com/EncontrosCulturaeSaude.
Texto: Flávia Menna Barreto