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Exposição do CCMS sobre a pandemia de covid-19 integra as atividades do Programa Vivências no SUS
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Exposição do CCMS sobre a pandemia de covid-19 integra as atividades do Programa Vivências no SUS
Médicos residentes e estudantes de saúde dos estados do MS, MT, GO e DF visitam a mostra
Publicado: 13/06/2025 | 13h24
Última modificação: 13/06/2025 | 17h19
Última modificação: 13/06/2025 | 17h19

Texto: Centro Cultural do Ministério da Saúde
Fotos: Franklin Paz e Marcos Melquíades/MS
A pandemia de covid-19 deixou marcas profundas na história do Brasil e do mundo. Para assegurar que essa memória não se apague e, mais importante, para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), o Programa Nacional de Vivências no SUS incluiu em suas atividades uma visita mediada à exposição Trajetórias do Cuidado: a força do SUS diante da pandemia de covid-19, do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE).
As Vivências são realizadas no formato de imersão, em que o grupo de participantes se reúne no local previamente definido e fica integralmente disponível às atividades teórico-práticas-reflexivo-vivenciais. No dia 9 de junho, 40 estudantes e residentes em saúde da região Centro-Oeste participaram dessa imersão por meio da exposição instalada no Centro Cultural Dona Ivone Lara, na sede do Ministério, em Brasília (DF). Essa integração entre a memória da crise sanitária e a formação de futuros profissionais e gestores da saúde sublinha o papel crucial do SUS e a importância de seus trabalhadores e trabalhadoras.

Visita mediada com participantes do Programa Nacional de Vivências no SUS. Foto: Franklin Paz/MS
O Programa Nacional de Vivências no SUS é uma iniciativa do Ministério da Saúde (MS) que busca fortalecer e aprimorar a formação de estudantes, residentes, trabalhadoras e trabalhadores, gestoras e gestores, docentes e movimentos sociais da área da saúde. Com foco no trabalho em equipe, na promoção da equidade e nas mudanças nos modelos de atenção e gestão, o programa da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (Sgtes) promove a integração entre ensino-serviço-comunidade, fortalece o SUS e a participação popular.
Exposição transforma o Espaço Cultural Dona Ivone Lara em travessia poética da pandemia
Inaugurada em 16 de maio, a exposição, que está em cartaz no Espaço Cultural Dona Ivone Lara, no Ministério da Saúde, em Brasília/DF, oferece uma abordagem cronológica e documental do impacto da pandemia no Brasil. Com um percurso expositivo que entrelaça imagens e notícias, a mostra reconstrói a memória coletiva do período. A exposição também traz uma série de aquarelas e uma poesia da médica e artista Isadora Jochims e obras artísticas dos fotógrafos Carlos Erbs Júnior e José Roberto Bassul. O objetivo central é claro: construir e preservar a memória de um período crítico, enquanto se reconhece o papel do SUS e a importância de seus profissionais.
Programa Nacional de Vivências no SUS
Uma das responsáveis por viabilizar a atividade, Carolina Veras, consultora técnica da Coordenação-Geral de Integração Ensino-Serviço-Comunidade (Cgesc), do Departamento da Gestão da Educação em Saúde (Deges), da Sgtes, considerou a visita mediada à exposição um importante momento de resgate histórico. “Ao revisitar o passado, esses trabalhadores e futuros trabalhadores de saúde tiveram a oportunidade de refletir sobre os desafios enfrentados durante a pandemia e sobre a trajetória da saúde pública no Brasil. Esse processo de rememoração, ainda que marcado por experiências dolorosas, proporciona um valioso aprendizado, que contribui para a formação crítica e humanizada dos profissionais”, mencionou.
Ainda sobre a relevância da atividade para os residentes, Carolina acrescentou que “relembrar a pandemia de covid-19 é essencial para transformar a formação em saúde e prepará-los para enfrentar, com sensibilidade e responsabilidade, situações complexas como as emergências de saúde pública", completou.
CCMS promove as primeiras visitas mediadas à exposição
A visita mediada revelou o impacto da exposição nos participantes do programa Vivências no SUS. Nascido em Taguatinga/DF, Kevin Manoel Silva Mendonça, graduando em Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS), da Universidade de Brasília (UnB), destacou a relevância da mostra: "A exposição é composta por muitos elementos provocativos que trouxeram diversas reflexões. A linha do tempo me marcou muito, o percurso do primeiro caso de covid-19 até a primeira imunização expôs extremos muitos cruéis de um período ao outro".

Kevin Manoel Silva Mendonça aprecia a mostra. Foto: Franklin Paz/MS
Para ele, é fundamental manter viva a memória das vítimas e a atuação do SUS. “É um marco histórico na saúde mundial que jamais deve ser deixado no esquecimento. E tem que ser evidente a importância do SUS em todo esse cenário de muita dor, mas de um claro exemplo da potência da vacinação”, expressou.
"Sou muito agradecido e tenho grande respeito aos trabalhadores de saúde que desempenharam papel crucial na pandemia. Quando penso neles, me vêm na cabeça a imagem de heróis. Eles colocaram suas vidas em risco para salvar as nossas", lembrou Kevin.
No dia 6 de junho, foi a vez de alunas de Odontologia do Instituto Científico de Ensino Superior e Pesquisa (Icesp) visitarem o espaço, aproveitando a condução mediada pela equipe do CCMS. Patrícia da Costa Moura Alves, de 35 anos, com experiência prévia como técnica em saúde bucal e graduação em Estética e Cosmetologia, compartilhou suas impressões: "Admiro iniciativas culturais que valorizam a memória e o cuidado coletivo, especialmente aquelas ligadas à saúde pública, à cultura popular, às artes visuais e à produção de conhecimento acessível. Gosto de projetos que unem emoção e informação, que transformam dados em histórias, números em rostos e estatísticas em vidas, como fez essa exposição".

Alunas de Odontologia conhecem o Espaço Cultural Dona Ivone Lara, com visita conduzida por Rodrigo Abreu, servidor do CCMS. Foto: Marcos Melquíades/MS
O que mais tocou Patrícia foi a delicadeza com que a dor coletiva foi transformada em memória e reflexão. Ela se emocionou com o Memorial criado pelo CCMS onde os visitantes escrevem, em post-its verde, amarelo e azul, os nomes das pessoas queridas que perderam: "Aquele painel me emocionou de verdade. É um gesto simples, mas extremamente significativo, pois oferece uma forma de eternizar a memória de tantos entes queridos que nos foram tirados de forma tão abrupta. Cada mensagem escrita ali carrega histórias, saudades, promessas. É como se cada palavra ajudasse a transformar a ausência em presença viva, em um tipo de resistência à ideia de esquecimento", destacou Patrícia.

Visitante inclui, no Memorial criado pelo CCMS, o nome de um ente querido que perdeu na pandemia. Foto: Franklin Paz/MS
A curadoria da exposição, segundo Patrícia, consegue equilibrar o rigor informativo com a sensibilidade estética. "Os números, embora assustadores, são apresentados ao lado de rostos, nomes e histórias, e isso muda completamente a forma como a informação nos alcança. A exposição nos lembra que por trás de cada dado havia uma vida, uma história interrompida, um profissional da saúde exausto, uma família em luto. É uma experiência que nos humaniza e que dá forma e voz ao silêncio que a pandemia nos impôs", enfatizou.
Para Patrícia, a visita mediada potencializa ainda mais a experiência. "O acompanhamento cuidadoso e atento de profissionais capacitados nos conduz por caminhos de escuta, interpretação e empatia que talvez não acessássemos sozinhos", afirmou. "A mediação dá voz à exposição, mas também dá espaço à escuta dos visitantes, transformando a visita em um processo vivo de troca. Não é apenas uma exposição que se vê, é uma exposição que se sente, que nos atravessa e nos transforma", concluiu Patrícia.

Patrícia da Costa Moura Alves em frente a um dos painéis da mostra. Foto: Acervo pessoal