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Dois dias de saúde e arte no I Festival CASA
Última modificação: 30/12/2019 | 10h22

Texto: Comunicação/SAA
O I Festival CASA – Cultura, Arte, Saúde e Acessibilidade, promovido pelo Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS/CGDI/SAA/SE), foi realizado nos dias 7 e 8 de dezembro, sábado e domingo, no prédio do CCMS, no Rio de Janeiro, e reuniu um público diverso, em que o objetivo foi envolver a sociedade para a temática, reconhecendo as diferenças e levando informação em saúde em várias vertentes.
Conduzido pela equipe de forma orgânica, teve a proposta de dialogar com todos os públicos por meio de muitas formas de arte. Música, dança, grafite, artesanato, rodas de conversa e inovação compuseram o Festival, em que educação e cultura em saúde foram a marca registrada. “O sábado foi mais dedicado às pessoas com deficiência, não só em homenagem ao Dia Internacional de Luta da Pessoa com Deficiência (3/12) mas também pela importância de o CCMS dialogar com a diversidade”, explicou a chefe do Serviço de Produção Cultural e Educativo e responsável pela organização do Festival, Fabíola Simoni Santos.
A equipe do CCMS trabalhou com muito empenho, profissionalismo e amor para que o Festival se concretizasse. Conceber o evento, acertar a logística, providenciar o material a ser utilizado, organizar os espaços, projetar as apresentações, acolher o público. Além de Fabíola Simoni, Thiago Petra, chefe da divisão do Centro Cultural do Ministério da Saúde, o produtor cultural Thiago Grisolia e os técnicos Edno Emídio, Bianca Montella, Edileuza Jordana, Lara Braga e Jussara Alves foram responsáveis por viabilizar os inúmeros detalhes que fizeram do evento um sucesso.
Confira o que aconteceu nesses dois dias.

O evento teve a presença de representantes do gabinete do Ministro da Saúde, do Secretário Executivo e da Coordenação geral de Documentação e Informação, além dos profissionais do Rio de Janeiro. Foto: Márcio Nolasco
Grafite também é lugar de mulher
No primeiro dia, logo cedo chegou o coletivo de mulheres negras grafiteiras Preta Pinta Preta, que coordenaram a oficina de grafite e o Live Painting – ou pintura/grafite ao vivo, literalmente – com o tema saúde pública. O grupo convive com pessoas em situação de vulnerabilidade social e trabalham com um recorte em que gênero, raça e periferia formam seu triângulo de atuação.
São geógrafas, engenheiras, nutricionistas, fitoterapeutas e designers que utilizam o grafite como linguagem para mostrar, por meio da arte, a temática da valorização racial e do potencial dos considerados menos favorecidos. “O grafite é, em geral, um meio masculino e quando se projeta torna-se um lugar de homens brancos. Por meio da pintura mostramos quem nós somos, mulheres com profissões diferentes, artistas e solidárias, em que a medicina popular e as práticas integrativas na periferia também fazem parte do nosso universo ”, afirma Thaís Iroko, uma das integrantes do coletivo.

Coletiva Preta Pinta Preta grafitou a definição de saúde da OMS no container do Centro Cultural do Ministério da Saúde. Foto: Márcio Nolasco
Da Concepção ao Parto
Como uma verdadeira gestação, bonecas grávidas confeccionadas com algodão, lã de carneiro e costura manual foram responsáveis pelo (re) nascimento de mulheres reais que hoje formam um coletivo de artesãs de Manguinhos. Feitas com base na pedagogia Waldorf, as bonecas grávidas são terapêuticas e informativas tanto para quem as faz quanto para quem as conhece prontas. “Curei uma depressão costurando essas bonecas. Recuperei minha autoestima”, emociona-se Denise Chatack, uma das multiplicadoras da técnica durante o I Festival CASA. Ao lado de Maria de Lourdes da Silva, Luciana Rodrigues e Aracina Ferreira, o quarteto ensinou tim tim por tim tim todos os detalhes da confecção para as atentas mulheres que participaram da oficina. “Estar entre mulheres sempre é uma oportunidade de troca, é um processo bastante terapêutico para todas as participantes. Ninguém quer ir embora”, confessa Aracina, líder da Cooperativa “Mãos de Talento”, em Manguinhos.
Elas contam que cada boneca grávida é única, feita com muito carinho e que, prontas, podem ser utilizadas para estimular discussões sobre parto humanizado, educação sexual e, também, usadas em clínicas terapêuticas para relatar casos de abuso sexual, por exemplo. É o artesanato semeando transformações, recriando valores e reelaborando a vida.

Bonecas grávidas foram confeccionadas com apoio do Coletivo de Mulheres de Manguinhos. Foto: Márcio Nolasco
Empoderamento Feminino
Ao mesmo tempo, sob o céu claro da revitalizada região portuária do Rio, estava sendo realizada a roda de conversa sobre plano de parto, com a médica ginecologista e obstetra Leonor França e a enfermeira obstetra Meriene Gomes, mediada por Maria Resende, coordenadora de Arquivo e Gestão de Documentos/CGDI/SAA. Doula, formada pela Matriusca/ReHuNa (Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento) em Brasília, Maria ressaltou a importância do plano de parto, que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para assegurar às gestantes que seus desejos sejam respeitados em questões concernentes ao seu trabalho de parto, parto, pós-parto e nos cuidados com o recém-nascido no pós-parto imediato. “Ações como rodas de conversa sobre este tema são fundamentais para informar à mulher que ela tem o direito de optar sobre o que ela quer e o que não aceita para si nem para seu recém-nascido” – esclarece Maria. “Foi um encontro bem rico. A informação tem que ir até o público. Parceiros, familiares e amigos também precisam estar bem informados, acompanhar e apoiar a vontade da gestante e dar a ela a autonomia e a tranquilidade necessárias neste ciclo tão extraordinário na vida de uma mulher” - defende ela.

Roda de conversa sobre plano de parto. Foto: Márcio Nolasco
O instrumento como elemento orgânico
A família de cordas formada por um violino, um contrabaixo e três violoncelos formam o quinteto Top Five. O concerto foi precedido por uma oficina em que os presentes foram convidados a tocar um instrumento. Um momento em que mesmo quem nunca foi apresentado tão de perto apreciou o contato e a magia de criar o som, manejando as hastes e pressionando as cordas. Além das cordas, percussão. Com o triângulo, e o tamborim, de repente todos estavam fazendo música. Thaís Ferreira, professora dos companheiros enquanto ainda eram adolescentes, orgulha-se de vê-los fazendo parte do conjunto, levando a arte e a música por onde passam. O grupo encerrou a manhã encantando o público com um repertório variado, ao som do toque potente e suave das cordas e a certeza de que a música é para todos.

Antes da apresentação de música, o quinteto Top Five fez oficinas com os participantes do Festival. Foto: Márcio Nolasco
Reconhecendo o corpo
Já a oficina de mente e corpo, conduzida pela Cia Atria Baderna Artística, apresentou uma performance que possibilitou aos participantes o diálogo com o próprio corpo e, embora com reservas, também o dos outros, mesmo sem conhecê-los.
A ideia foi dar liberdade para explorar, se soltar, olhar as diferenças e se posicionar nos espaços, sem delimitações claras, o que não é feito no cotidiano.
Formado pelos artistas Amélia Goulart, Glória Lila e Matheus Trindade – este último cadeirante – , o grupo emocionou o público com uma atuação intensa, delicada e tocante.
“Nunca me senti tão acolhido, bem tratado e com tanta atenção e gentileza, sem ofensa e sem estranheza a minha deficiência. Isto chama-se acessibilidade atitudinal e a equipe do CCMS está muito alinhada nesse quesito.” – agradeceu Matheus.

A emocionante apresentação da Cia Atria Baderna Artística. Foto: Márcio Nolasco
A semelhança das diferenças
Em seguida foi a vez da Pulsar Academia de Dança, que há 20 anos trabalha com pessoas com e sem deficiência. A diretora, Teresa Taquechel, salienta o valor da arte pela arte, sem colocar nenhuma diferença entre as pessoas.
“Cada um tem uma forma, uma estrutura. A dança contemporânea faz com que, por meio do universo do movimento, se dê a percepção do seu próprio corpo e sua relação com o entorno”, afirma Teresa. O bailarino Raphael Arah enfatiza a ideia de troca: “O movimento é o guia e a dança encontra e reconhece as qualidades de cada um. A cadeira não é um limitador. Todo movimento é bem-vindo. Todo movimento é movimento, sem qualificar, sem necessidade de ser útil. É o prazer... E a dança traz isso”, completa ele.

A Pulsar Academia de Dança realizou oficina com o público
Maternidade
Compondo o espaço festivo do CCMS estava a exposição Maternidade, que apresenta as diversas faces dessa experiência intensa e sublime da vida de uma mulher: a geração de um filho.
Capturadas com sensibilidade pelo fotógrafo Radilson Carlos Gomes, as imagens trazem as expressões das aldeias indígenas, populações ribeirinhas, povos do campo e da floresta.
Radilson é servidor do Ministério da Saúde e atua há mais de quinze anos retratando a atenção e o cuidado do SUS ao cidadão por todo o País.

A Mostra Maternidade ficou exposta durante os dois dias do festival
Reencontrando a autoestima
O grupo Eficientes do Samba, formado por pessoas que sofreram algum tipo de lesão, se apresentaram com muito ritmo. Tocando grandes sucessos do gênero que nomeia a banda e canções autorais que falam sobre as superações dos integrantes, o grupo utiliza a música como parte do processo de reabilitação, recupera a possibilidade de reinserção social e profissional.
“Foi a oportunidade de fazer a primeira apresentação, pois até então era só ensaio. Isso fez toda a diferença para eles” – reconheceu Thiago Petra, chefe do CCMS.

Grupo Eficientes do Samba finalizou as atividades de sábado com muito samba e alegria
Quem disse que o ritmo latino não dá samba?
Para encerrar o fim de semana de saúde e cultura, o bloco de carnaval Besame Mucho atraiu também a atenção dos transeuntes, que assistiram e aproveitaram a banda e o gingado do bloco. Um foco de admiração foi a “Frida” em perna de pau encarnada por Elan Barreto, que fez todos dançarem com alegria e descontração. Um desfecho perfeito para o evento!

Bloco Besame Mucho encerrou festival em grande estilo
Inovação também é cultura... e saúde!
No sábado, a equipe de inovação do Centro Cultural do Ministério da Saúde recebeu usuários do SUS com doença de chagas para a oficina de Design Thinking. Durante poucas horas, os participantes conheceram um pouco dessa abordagem de inovação muito difundida e puderam discutir sobre questões que envolvem os esforços dos usuários no Rio de Janeiro.

Os participantes conheceram algumas dinâmicas utilizadas na abordagem Design Thinking
Roda de conversa sobre Memória Social
O festival abriu espaço para uma roda de conversa sobre Memória Social, com a participação dos museólogos Felipe Farias, presidente do COnselho regionla de Museologia da região 2 (RJ, MG, ES), e Paula Dias, museóloga e servidora do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro. Felipe pode enfatizar a importância dos museus e centros culturais para o bem estar, felicidade e saúde da sociedade, como relevantes para o SUS.
"São instituições ideais para transmitirem todos os conhecimentos históricos sobre saúde no Brasil, bem como estimular no público a curiosidade sobre os avanços científicos, por exemplo", disse Felipe Farias. Paula compartilhou um pouco de seus estudos sobre Espaços culturais e saúde, o que gerou um rico diálogo entre os presentes.

Museólogos trouxeram alguns casos envolvendo a saúde pública pelo mundo