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Design Thinking aplicado a exposição

CCMS promove oficina virtual com profissionais de várias regiões do Brasil para elaboração de projeto sobre sífilis

Publicado: 28/08/2020 | 10h20
Última modificação: 28/08/2020 | 10h50

Criar uma exposição de maneira colaborativa já é uma tarefa bastante difícil. E o que dizer de fazê-lo com profissionais de áreas diversas, em locais diferentes do país, em meios às dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19? Na tentativa de responder a esse desafio, o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) encerrou na última sexta-feira (21/08) uma oficina de design thinking virtual, cujo objetivo era consolidar um projeto de exposição sobre sífilis, reunindo profissionais da área de saúde e da área cultural.

O design thinking é uma abordagem voltada para a criação de soluções inovadoras baseadas na empatia, colaboração e experimentação. O CCMS já possui bastante experiência no assunto, tendo realizado seis workshops só em 2019. As oficinas geralmente duram três dias (manhã e tarde) e nelas são propostas uma série de atividades, que começam com a introdução até a apresentação de um protótipo por cada um dos grupos nos quais os participantes são divididos. Coube aos profissionais do CCMS Edno Filho e Bianca Montella uma tarefa dupla: adaptar a abordagem para um ambiente virtual e utilizá-la para elaboração de um projeto de exposição, o que ainda não havia sido feito.

Em relação ao ambiente online, uma das principais dificuldades foram as prototipações. No lugar da massinha, dos lápis de cor e dos post-its usados nas oficinas de design thinking tradicionais, entrou o software Miro, uma plataforma que simula um quadro e oferece uma série de recursos que permitem que o grupo colabore remotamente. “Tivemos o cuidado de que os participantes já tivessem familiarizados com a ferramenta, por isso fizemos uma série de atividades no Miro e no Zoom (plataforma usada para a transmissão da oficina online) na chamada fase de entendimento, que foi feita previamente”, conta Bianca Montella.

A fase de entendimento, aliás, foi uma mudança importante que a equipe propôs. Nas outras oficinas presenciais feitas pelo CCMS o objetivo era apresentar a abordagem do design thinking para o grupo, por isso os participantes elaboravam soluções para problemas mais gerais do serviço público. Nesses casos, a fase de entendimento é bem mais curta, já que os participantes possuem experiência e conhecimento do contexto.

“Como dessa vez estávamos abordando um problema mais concreto, uma exposição, vimos a necessidade de um tempo maior, para que essa etapa fosse explorada com mais qualidade”, explica Edno Filho. Por esse motivo - e para evitar o desgaste de uma oficina muito longa num ambiente virtual - a equipe diluiu essa fase em quatro encontros anteriores, que tiveram apresentações de Thiago Grisolia (CCMS), Jane Dantas (LAIS/UFRN) e Mauro Romero (UFF). Com isso, os três dias completos de oficina puderam ser reduzidos para três manhãs.

“Estávamos receosos sobre como a dinâmica de colaboração e troca de ideias, que é parte fundamental do design thinking, se traduziria para um ambiente virtual. Porém, o que aconteceu superou nossas expectativas. As pessoas conseguiram interagir de forma bastante descontraída e os eventuais contratempos, que sempre surgem quando testamos um formato novo, não prejudicaram em nada o andamento da oficina”, conta Edno Filho.

O resultado final da oficina foi a apresentação de três protótipos direcionados, cada um, a um público-alvo que deve atender à exposição: o público geral, os profissionais de saúde e os jovens. Os grupos tiveram dez minutos para apresentá-los ao fim da oficina, quando puderam ouvir questionamentos e sugestões dos outros grupos. Estes protótipos servirão agora de subsídio para a equipe técnica do CCMS criar um projeto unificado, levando em conta todas as questões levantadas durante a oficina e as conclusões tiradas pelos grupos. 

“Existe sempre uma expectativa grande quando reunimos pessoas com conhecimentos e experiências tão diferentes, mas o resultado foi muito positivo. O design thinking é uma abordagem que se aplica muito ao CCMS, pois permite que nós possamos trazer as áreas técnicas para produzir ações culturais conosco. Todos participam da construção, se respeitam e conseguem expressar suas opiniões para, no final, chegarmos a um resultado coletivo”, destaca  o chefe de Divisão do CCMS, Thiago Petra.

As apresentações criadas dentro do software Miro também poderão ser consultadas e editadas por todos os participantes, mesmo após a oficina. A equipe do CCMS também vai elaborar um relatório em formato gráfico, mais objetivo do que o modelo escrito, para facilitar o compartilhamento das ideias que surgiram durante a oficina.

Participaram: 
Aedê Gomes Caxada (SVS/MS); Aliete Cunha Oliveira (Universidade de Coimbra); Angelica Espinosa Miranda (CGIST/DCCI/SVS/MS); Arthur Barbalho Braz (LAIS/UFRN); Bianca Montella (CCMS/MS); Daniela dos Santos Almeida (CGDI/MS); Edno Filho (CCMS/MS); Fabíola Simoni (CCMS/MS); Grasiela Araújo (OPAS/OMS); Jane Francinete Dantas (LAIS/UFRN); Juliana Uesono (CGIST/DCCI/SVS/MS); Leonor Henriette de Lannoy (CGIST/DCCI/SVS/MS); Mauro Romero Leal Passos (UFF); Paula Dias (MS); Rosângela Morais  da Costa (LAIS/UFRN); Salete Saionara Barbosa (CGIST/DCCI/SVS/MS); Simoni Pinheiro (SBDST); Thereza Cristina de Souza Mareco (CGIST/DCCI/SVS/MS); Thiago Grisolia (CCMS/MS); Thiago Petra (CCMS/MS)

 

Thiago Petra: "Todos participam da construção, se respeitam e conseguem expressar suas opiniões para, no final, chegarmos a um resultado coletivo”