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Com apoio do CCMS, reunião discute práticas de cuidado para a saúde indígena
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Com apoio do CCMS, reunião discute práticas de cuidado para a saúde indígena
Profissionais da rede federal no Rio de Janeiro ampliam discussões sobre o tema
Publicado: 13/05/2025 | 12h05
Última modificação: 13/05/2025 | 12h12
Última modificação: 13/05/2025 | 12h12

Texto: Vinícius Monteiro (Ascom da Sems/RJ) com edição do CCMS
Em alusão à campanha Abril Indígena, o Grupo de Trabalho de Diversidade e Equidade do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), Hospitais Federais e Institutos Nacionais no Rio de Janeiro promoveu, no dia 29 de abril, uma reunião ampliada sobre as práticas de cuidado para a saúde da população indígena na atenção hospitalar. Realizada no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), a atividade faz parte do planejamento do GT para as unidades federais, previsto no Plano de Ação da Estratégia Antirracista para Saúde 2025.
Com o objetivo de combater a desinformação através do letramento étnico-racial, qualificar a assistência ofertada à pessoa indígena, e prevenir situações de racismo e discriminação nas unidades de saúde, o evento teve o apoio do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), do Grupo Técnico Ecoar e da Área de Ensino e Pesquisa do HFSE, da Comissão de Equidade do Hospital Federal de Ipanema, da Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Serviço de Auditoria no Rio de Janeiro (Seaud).
Diretor-geral do HFSE, Paulo Roberto Pereira de Sant’ana iniciou a reunião destacando a relevância desse debate para a área da saúde: “Esse espaço de conversa é importante, pois ainda existe um trabalho árduo a ser trilhado, porque ainda é difícil a gente fazer saúde e incluir todo mundo, portanto, isso é um enfrentamento diário, porque a saúde tem que ser para todos”, concluiu.
Em seguida, foi iniciada uma roda de conversa formada pela ativista indígena e psicanalista Bianca Katcherie, pela representante da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ), Graciela Pagliaro, e pelo representante do Movimento Social Saúde Indígena, Djalma Filho Piranga Potiguara, com mediação do enfermeiro e pesquisador Luciano Rocha e da assistente social e indígena Leonor Gomes, que atuam no Serviço Nacional de Auditoria no Rio de Janeiro.
Os participantes abordaram questões como a saúde mental dos povos indígenas, o sentimento de pertencimento na sociedade, o respeito e o acolhimento à sua cultura, identidade e religiosidade no ambiente hospitalar, a importância do preenchimento correto do campo raça/cor nos formulários de saúde e a medicina tradicional indígena. Também foram apresentados dados e uma linha do tempo das políticas de saúde direcionadas à população indígena no Brasil.
Bianca Katcherie relembrou momentos de sua infância que foram fundamentais para reafirmar suas origens e identificação como pessoa indígena. E destacou reivindicações importantes para a população indígena, como o enfrentamento à imposição religiosa durante a jornada de internação e a deslegitimação do saber tradicional. Os convidados discutiram ainda o etnocídio dos povos indígenas, que consiste na destruição sistemática de seus valores, modos de vida, memória e tradições, mesmo sem a ocorrência de mortes, levando à perda da identidade cultural dos povos originários.
A médica responsável pela Área Técnica de Saúde Indígena da SES/RJ, Graciela Pagliaro, ressaltou o preenchimento do campo raça/cor como decisivo para o aprimoramento das políticas públicas para esta população bem como para o fortalecimento das ações em âmbito local. Já Djalma Potiguar, articulador da Comissão de Saúde da população indígena em contexto urbano e profissional de saúde do SUS, frisou os desafios colocados para enfrentamento ao etnocentrismo e a invisibilização dos indígenas urbanos no sistema de saúde através do letramento e da promoção de espaços de debate e disseminação da cultura e saberes da população indígena.
A reunião foi encerrada com as falas de Raimundo Silva, membro do Grupo Técnico Ecoar/HFSE, e da coordenadora da Área de Ensino e Pesquisa do HFSE, Emília Bento, que reiteraram a necessidade do letramento para capacitação das equipes.
Idealizadora do GT de Diversidade e Equidade no DGH, a assistente social Cintia Nery enfatizou que o debate é imprescindível para o acesso desta população à Atenção Especializada. Nesse sentido, propôs a formação de um subgrupo de trabalho, formado por unidades que já tratam dos assuntos em questão, como o Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), além de outras esferas e instâncias de gestão, como as secretarias de Atenção Especializada à Saúde (Saes) e de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, as secretarias estadual e municipal de Saúde (SES/RJ e SMS-Rio), e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
“A ideia é que esse subgrupo possa, a partir do diálogo com trabalhadores e representantes do movimento indígena e do controle social, elaborar protocolos e notas técnicas que norteiem e fomentem boas práticas de cuidado, aprimorando a assistência”, pontuou.