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CineSUS: cinema, emoção, escuta e cuidado em liberdade
Última modificação: 03/02/2026 | 19h57

Texto: Comunicação Interna/MS com edição do CCMS
Fotos: Franklin Paz/MS
O auditório da sede do Ministério da Saúde, em Brasília/DF, ficou em silêncio durante a exibição do filme O Bicho de Sete Cabeças, na última sexta-feira (30). Ao fim da sessão, o silêncio deu lugar à escuta, à troca e a um debate marcado por emoção, memória e compromisso com o cuidado em liberdade
Promovida pela Coordenação de Gestão Cultural do Ministério da Saúde (COGC), por meio do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), a sessão do CineSUS reforça o projeto que propõe o cinema como espaço de encontro e cuidado para as trabalhadoras e os trabalhadores do Ministério da Saúde. A iniciativa oferece um momento de fruição cultural seguido de debate qualificado, sempre com a presença de alguém vinculado ao filme exibido e de especialistas no tema, criando pontes entre cultura, política pública e experiências de vida.

A mediação foi conduzida por Gisella Chinelli, coordenadora de Gestão Cultural do Ministério da Saúde, que destacou o CineSUS como um espaço pensado para provocar reflexão e diálogo a partir da cultura. Segundo ela, a proposta é realizar encontros mensais, com debates abertos a perguntas e depoimentos, valorizando tanto vivências pessoais quanto trajetórias profissionais.
O debate contou com a participação on-line da diretora do filme, Laís Bodanzky, responsável por um dos longas mais emblemáticos do cinema brasileiro sobre saúde mental. Ao relembrar o lançamento da obra, no início dos anos 2000, Laís destacou o impacto do filme em um momento decisivo para a reforma psiquiátrica no Brasil. Para ela, o audiovisual tem força justamente por romper silêncios. “O filme nasceu como um alerta. Ele ajudou muitas famílias a entender que quem sofre é a pessoa e que o papel da sociedade é acolher, respeitar e cuidar”, afirmou.
Também integraram a mesa Adriane Wollmann, coordenadora-geral de Saúde Mental e Direitos Humanos do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde; Gabriella de Andrade Baska, coordenadora-geral de Cuidado a Usuários de Álcool e Outras Drogas do mesmo departamento; e Jéssica Lima Trindade, assessora técnica da Coordenação de Atenção à Saúde do Homem.
Em suas falas, as convidadas reforçaram a importância da reforma psiquiátrica, da defesa dos direitos humanos e da construção de redes de atenção psicossocial no território, para além do modelo hospitalar. O filme foi apontado como um retrato potente das violências institucionais e, ao mesmo tempo, como um disparador para pensar o cuidado a partir da vida, das relações e do pertencimento social.
Jéssica Lima Trindade trouxe reflexões sobre masculinidades, silêncio emocional e falta de diálogo, relacionando o enredo do filme aos padrões sociais que ainda afastam homens do cuidado e da escuta. Já Gabriella Baska destacou a necessidade de deslocar o olhar da substância para a história de vida das pessoas, lembrando que o cuidado em saúde mental exige redes, serviços e compromisso contínuo do Estado.
O debate seguiu aberto à plateia e contou com diversos participantes, que compartilharam histórias pessoais e profissionais, experiências familiares, vivências no SUS e reflexões sobre o impacto das instituições manicomiais ao longo do tempo. As falas evidenciaram que a saúde mental não é um tema restrito à área da saúde, mas atravessa a educação, a assistência social, a justiça, a cultura e o próprio ambiente de trabalho.
A sessão do CineSUS reafirmou o cinema como espaço de encontro, escuta e construção coletiva dentro e para além do Ministério da Saúde. O encontro teve destaque pela riqueza das contribuições e pela força do compartilhamento de experiências, e dialogou diretamente com a Luta Antimanicomial, reforçando a importância de manter viva a defesa do cuidado em liberdade, da dignidade e dos direitos das pessoas em sofrimento mental.