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Cinema e inclusão: cineclube apoiado pelo CCMS marca o Setembro Azul
Última modificação: 30/09/2025 | 14h07

Texto: Gustavo Maia (Ascom Sems/RJ) com edição do CCMS
Fotos: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ)
A décima primeira edição do Cineclube, produzido pelo Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) em parceria com o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), deu visibilidade à luta das pessoas surdas. O Setembro Azul, comemorado neste mês, destaca os desafios e a cultura da comunidade surda, bem como suas conquistas e estratégias de inclusão, como a língua brasileira de sinais (Libras).
O curta-metragem “Crisálida” foi a obra apresentada ao público na última quinta-feira (25). O filme conta a história de Rubens, um adolescente surdo de 11 anos que enfrenta dificuldades de comunicação com seus pais e colegas ouvintes. Por acaso, ele conhece outros jovens surdos como ele, que compartilham a língua brasileira de sinais, e descobre um mundo de novas possibilidades.
A coordenadora da Central Carioca de Intérpretes de Libras, Vanessa Neves, lembrou uma frase do filme – “O pior surdo é aquele que não quer escutar” – para falar sobre as barreiras enfrentadas por pessoas surdas no convívio diário com seus familiares e amigos.
Fundada em 2011, a Central atende a todo o município do Rio de Janeiro. “Nós não pretendemos ajudar a pessoa surda em suas atividades diárias; ela deve ter o protagonismo de sua história. Queremos que a pessoa surda tenha autonomia para fazer o que bem quiser”, pontuou a coordenadora.
Além dos cerca de quinhentos atendimentos mensais, a Central Carioca de Intérpretes de Libras garante a acessibilidade a todos os conteúdos produzidos pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, por meio de recursos como a “janela do intérprete de Libras”, inserida em todos os vídeos oficiais. A Central também oferece cursos de comunicação básica em Libras.
Um serviço pioneiro de atendimento, inclusão e acessibilidade para usuários com surdez ou deficiência auditiva nos hospitais federais do Rio de Janeiro é oferecido desde 2018 no Hospital Federal de Ipanema (HFI). Esta conquista para a comunidade surda foi apresentada no Cineclube pela assistente administrativa Rafaela de Moraes, formada em Pedagogia pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), vinculado ao Ministério da Educação (MEC). A profissional domina a interpretação de Libras para comunica-se com pessoas surdas.
O serviço acompanha os pacientes desde o cadastro até as consultas e a realização de exames e procedimentos hospitalares. “Acessibilidade é um direito garantido por Lei. No Hospital Federal de Ipanema procuramos fortalecer a inclusão social e a participação cidadã removendo as barreiras entre pessoas surdas e ouvintes”, destacou Rafaela.
Além de falar sobre o serviço acessível oferecido no HFI, Rafaela promoveu uma oficina de Libras com os espectadores do Cineclube. A especialista mostrou quais elementos básicos formam um sinal – especialmente os manuais e as expressões corporais – e ensinou algumas palavras e expressões na língua brasileira de sinais para a plateia.

O encontro foi encerrado com dicas práticas da intérprete para que os ouvintes possam melhor se comunicar com pessoas surdas: olhar para elas ao conversar, valorizar as expressões faciais e evitar falar muito rápido. Rafaela também destacou o uso de aplicativos, como o VLibras, como recurso de apoio à comunicação.