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Cineclube debate diversidade e cuidado humanizado no SUS
Última modificação: 06/06/2025 | 16h55

Texto: Marcio Nolasco (Ascom Sems/RJ) com edição do CCMS
Fotos: Gustavo Maia e Pamela Araujo (Ascom Sems/RJ)
O Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) em parceria com o Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), realizou, na última terça-feira (3/6), a oitava edição do Cineclube, dedicada ao tema Saúde e Diversidade. O evento reuniu convidados para dialogar sobre os desafios e avanços na atenção à saúde da população LGBTQIAPN+ no Sistema Único de Saúde (SUS). Realizado no auditório do décimo andar da Superintendência Estadual no Rio de Janeiro (Sems/RJ), o encontro teve a projeção de dois curtas-metragens e o lançamento da exposição Corpos em Trânsito: Narrativas Visuais da Diversidade.

Detalhe da exposição Corpos em Trânsito: Narrativas Visuais da Diversidade. Foto: Pamela Araujo (Ascom Sems/RJ)
Exposição Corpos em Trânsito
O evento contou com a abertura oficial da exposição Corpos em Trânsito: Narrativas Visuais da Diversidade, com curadoria de Anderson Alves, Jonathan Fonseca, Liège Santos e do coletivo TESO. Em exibição até o dia 30 de junho no hall e no décimo andar da Sems/RJ, a mostra reúne obras de artistas LGBTQIAPN+ que desafiam normas de gênero e sexualidade, propondo uma reflexão sobre diversidade e inclusão por meio das artes visuais.

Visitantes apreciam a mostra. Foto: Gustavo Maia (Ascom Sems/RJ)
Jonathan Fonseca, um dos artistas e curadores do coletivo, explicou que a iniciativa foi concebida no começo do ano com o objetivo de criar um espaço visual e de representação para a narrativa do cuidado.

Detalhes da exposição. Foto: Gustavo Maia (Ascom Sems/RJ)
"A ideia do coletivo é criar uma política, ética e afetividade do cuidado", destacou Jonathan. É a primeira exposição do grupo.

Em destaque, três esculturas que compõem a exposição. Foto: Gustavo Maia (Ascom Sems/RJ)
Nova edição destaca valor da diversidade
A programação incluiu a exibição de Como Respirar Fora D'água (2021), dirigido por Júlia Fávero e Victoria Negreiros. O filme de 16 minutos retrata a história de Janaína, uma jovem negra que, após sofrer uma abordagem policial violenta, passa a questionar sua relação com o pai, também policial militar. Em seguida, foi exibido Ambulatório João Walter Nery (2020), dirigido por Claudia Regina Ribeiro e Paulo Lara. O documentário de 13 minutos apresenta o primeiro ambulatório municipal do estado do Rio de Janeiro voltado para a população transexual, localizado em Niterói.

Público acompanha o curta-metragem Como Respirar Fora D'água. Foto: Gustavo Maia (Ascom Sems/RJ)
A roda de conversa foi mediada por Rafael Dias, coordenador de Gestão de Pessoas do DGH, que abriu o diálogo destacando a importância da diversidade na gestão de pessoas. Ele compartilhou uma experiência pessoal vivenciada quando começou a trabalhar no serviço público, no RH do Hospital Federal Cardoso Fontes. "Depois de um tempo, percebi que havia atendido a apenas um médico negro. O SUS é para todos. É importante que o usuário das unidades se reconheça nos espaços", ressaltou.
Para demonstrar como a diversidade está sempre presente, Rafael propôs uma dinâmica com três voluntários da plateia. Entregou uma folha de papel grande para cada um e pediu que desenhassem um monstro, a partir das mesmas coordenadas. Ao final do evento, os desenhos foram apresentados, revelando construções completamente diferentes. "Isso mostra como cada um de nós carrega uma bagagem, uma vivência", explicou.

Roda de bate-papo com Lux Nègre (à esquerda), Rafael Dias (ao centro) e Paulo Sérgio Rebelo (à direita). Foto: Gustavo Maia (Ascom Sems/RJ).
Paulo Sérgio Rebelo, coordenador do Ambulatório Trans João W. Nery, em Niterói, compartilhou a experiência no serviço, que atende cerca de 800 pessoas. A unidade, que recebe o nome do professor e psicólogo João Walter Nery, membro fundador da Associação Brasileira de Homens Trans, conta com uma equipe formada por profissionais de saúde de várias especialidades que atuam em processos de hormonização, atendimento psicológico, construção da proximidade e integração da cidadania. O ambulatório funciona como um serviço de portas abertas, sem regulação, e recebe pessoas de várias regiões do estado do Rio de Janeiro.
"Gostaria muito que outros municípios tivessem a iniciativa de também implementar um serviço como nosso. Acho que os movimentos sociais devem pressionar suas prefeituras para isso", defendeu Rebelo.
A atriz e dançarina Lux Nègre, que foi paciente do Ambulatório João Walter Nery e uma das personagens do documentário, compartilhou sua experiência no processo de transição. Moradora de Jacarepaguá, ela encontrou no serviço de Niterói o acolhimento necessário para seu cuidado. Lux destacou as dificuldades que pessoas transexuais enfrentam nos equipamentos de saúde do SUS, onde muitos profissionais ainda não têm preparação adequada para as especificidades desse público.
"Fico muito feliz com a reverberação desse filme, que foi feito em 2020 e ainda ocupa novos espaços, gera novas discussões. É uma semente que ainda está dando frutos", disse Lux.
Clique aqui e assista ao filme Ambulatório João Walter Nery (2020)
Clique e veja o trailer do curta Como Respirar Fora D'água (2021)