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CCMS destaca papel da arte e da cultura na humanização da saúde durante a HumanizaRio

Evento celebrou os 22 anos da PNH e reuniu práticas inovadoras no SUS

Publicado: 25/11/2025 | 11h18
Última modificação: 25/11/2025 | 11h25

Texto: Centro Cultural do Ministério da Saúde 

Fotos: Flávia Menna Barreto

 

No dia 19 de novembro, Thiago Grisolia, produtor cultural do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) há dez anos, ministrou a palestra Arte, Cultura e Saúde, na HumanizaRio – Primeira Semana de Humanização dos Institutos Federais de Saúde no Rio de Janeiro. Realizado no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), entre os dias 17 e 19, o evento comemorou os 22 anos da Política Nacional de Humanização (PNH) e reuniu representantes de diversas áreas do Sistema Único de Saúde (SUS) para discutir o fortalecimento das práticas de acolhimento, escuta e participação social. 

Logo no início da apresentação, Grisolia destacou a interconexão entre cultura, tecnologia, afeto e humanização. Ao mencionar a fotógrafa Nana Moraes, cujas obras estiveram na exposição do CCMS Retratos da Gente e Retratos em Movimento, resgatou a frase que guiou parte de sua reflexão: “A maior tecnologia do SUS é o afeto”.  

 

Thiago Grisolia, produtor cultural do CCMS, palestra na HumanizaRio.

Em seguida, apresentou três eixos que fundamentam a relação entre saúde e manifestações artístico-culturais. O primeiro deles, a antropologia da saúde, reforça que o processo saúde-doença não deve ser compreendido apenas sob o olhar biomédico, mas a partir de múltiplas perspectivas culturais. Ilustrando essa abordagem, mostrou exemplos que vão da medicina tradicional chinesa a rituais de cura de povos indígenas e práticas xamânicas, evidenciando como diferentes sociedades elaboram modos diversos de promover bem-estar e enfrentar adoecimentos. 

No segundo eixo, o produtor cultural analisou as representações da saúde nas artes, reunindo imagens históricas que espelham a evolução das práticas de cuidado e das percepções sociais sobre o corpo, a doença e a cura. Obras de artistas como Debret, Rembrandt, Keith Haring, Vik Muniz e Carlos Erbs Jr. revelam como a arte registra avanços científicos, lutas sociais e respostas coletivas a crises sanitárias. 

Por fim, o terceiro eixo evidenciou as manifestações artístico-culturais como práticas de saúde. Grisolia discutiu desde iniciativas que utilizam a arte como “bálsamo para o espírito”, evocando pensadores como Tzvetan Todorov, até experiências no SUS que incorporam práticas artísticas como dispositivos clínicos, de gestão e de educação em saúde. Entre os exemplos apresentados estavam projetos retratados no livro Saúde com Arte, como a Tenda do Conto (Natal/RN), que resgata narrativas pessoais de usuários; o Sons no SUS (Aracaju/SE), que leva música às unidades de saúde; o Roda de Palhaço (RJ), que atua em hospitais federais; e iniciativas de divulgação científica como o PalhaSUS Horizontino (CE). Grisolia também mencionou programas institucionais de cuidado aos trabalhadores, como oficinas artísticas utilizadas como ferramentas de gestão e promoção de qualidade de vida. 

A palestra reforçou, ainda, a atuação do Centro Cultural do Ministério da Saúde na valorização das expressões culturais como parte do cuidado ampliado.  

Grisolia ainda citou Gilles Deleuze ao refletir sobre o poder coletivo da criação artística: “Saúde como literatura, como escrita, consiste em criar um povo que falta.” Para ele, essa ideia pode ser estendida a todas as expressões artísticas. “A arte tem o poder da fabulação, de reunir pessoas e inventar coletividades para lidar com problemas. Na pandemia de covid-19, isso ficou evidente. A tecnologia permitiu encontros virtuais que funcionaram como uma janela de coletividade para suprir ausências”, enfatizou. 

Segundo o produtor cultural do CCMS, o objetivo da apresentação foi ampliar o repertório sobre humanização. “A palestra teve como objetivo ser abrangente e mostrar diversas possibilidades de humanização. Abrir os horizontes, através da arte, e dar outro olhar sobre a humanização no espaço da saúde”, complementou. 

Sobre o evento 

A HumanizaRio é uma realização conjunta do INTO, do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e da Rede HumanizaSUS, com apoio do CCMS. 

A programação incluiu debates, palestras, atividades culturais e espaços de troca entre equipes e gestores. Um dos eixos principais foi a Mostra de Experiências em Humanização, que reuniu mais de 60 projetos enviados por instituições hospitalares, unidades de saúde, organizações não governamentais e instituições de ensino de todo o Brasil. 

Entre os temas abordados estiveram: direitos dos usuários e trabalhadores, gestão participativa, ambiência, clínica ampliada, espiritualidade e acolhimento. Também houve encontros de comissões e comitês de diversidade, espaços dedicados ao voluntariado e ambientes de troca entre setores, experiências convidadas e profissionais da rede.