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Aleitamento materno é tema da 10ª edição do Cineclube apoiado pelo CCMS

Evento do Agosto Dourado apresentou documentário sobre amamentação e destacou importância da rede de apoio

Publicado: 02/09/2025 | 15h40
Última modificação: 02/09/2025 | 16h34

Texto: Marcio Nolasco (Ascom Sems/RJ)  

Fotos: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ) 

 

Em parceria com o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), aconteceu, na segunda-feira (25/8), a décima edição do Cineclube, dedicada ao tema Agosto Dourado em alusão ao mês mundial de incentivo ao aleitamento materno. Realizado no auditório do décimo andar da Superintendência Estadual no Rio de Janeiro (Sems/RJ), o evento promovido pelo Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) reuniu profissionais de saúde e interessados no tema para debater os desafios e a importância da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida.  

A programação iniciou com um café da manhã colaborativo no anexo do auditório, promovendo integração entre os participantes. Em seguida, foi exibido o longa-metragem De Peito Aberto (2016), dirigido por Graziela Mantoanelli. O documentário acompanha a história de seis mães de diferentes realidades socioculturais durante os primeiros 180 dias de vida dos seus bebês, tempo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para amamentação exclusiva. 

 

Nova edição do Cineclube apresentou documentário sobre amamentação e destacou importância da rede de apoio. Foto: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ)

Desafios do aleitamento materno 

Após a exibição, Thaís Queiroz, enfermeira neonatologista e responsável técnica pelo Banco de Leite Humano do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), fez uma apresentação sobre o trabalho desenvolvido na unidade e a importância da rede de apoio ao aleitamento materno. 

Durante sua fala, Thaís destacou dados preocupantes: enquanto a Organização Mundial da Saúde preconiza 180 dias de aleitamento materno exclusivo, no Brasil a média é de apenas 54 dias, com apenas 40% das crianças mamando exclusivamente no seio materno pelo período recomendado. 

Enfermeira Thaís Queiroz detalha sua atuação no HFSE. Foto: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ)

A enfermeira ressaltou os desafios enfrentados pelas mães, desde mitos como "o leite não sustenta" ou "o leite é fraco", até questões estruturais como a falta de políticas públicas efetivas de apoio. "O filme é uma iniciativa fantástica, mas não podemos parar aí. O mais importante é a criação de uma rede com muita conscientização, respeito e empatia", destacou Thaís, convidando o público a participar ativamente da construção dessa rede de apoio. 

Thaís detalhou as atividades desenvolvidas pelo Banco de Leite Humano do HFSE, que incluem ações contínuas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, rodas de conversa, assistência ao binômio mãe-bebê, triagem de doadoras, captação e processamento de leite humano ordenhado, além de distribuição e levantamento estatístico mensal. 

Experiência de doadora foi premiada 

O evento contou também com o depoimento de Isabela Gasparelli, enfermeira do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), que compartilhou sua experiência pessoal com a doação de leite humano. Durante seus longos plantões, ela encontrou na doação uma solução que conciliava sua rotina profissional com a manutenção da amamentação. 

Enfermeira Isabela Gasparelli durante o Cineclube dedicado ao Agosto Dourado. Foto: Alexandre Brum (Ascom Sems/RJ)

A enfermeira do INTO foi a vencedora de um concurso de slogans promovido pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) em 2025, que coordena ações para incentivar a doação de leite humano e fortalecer os bancos de leite ao redor do mundo. Hoje sua frase está numa campanha em todo o Brasil. 

"Toda essa experiência transformadora com a doação de leite e o crescimento pessoal que ela proporcionou em minha vida foram um presente que recebi da minha filha", relatou Isabela. 

Sua frase premiada foi "Doação de Leite Humano: Um gesto humanitário que alimenta esperança". 

Agosto Dourado: mês de conscientização 

O mês de agosto foi instituído pela Lei nº 13.435/2017 como período para intensificar ações sobre a importância do aleitamento materno no Brasil. A cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno - fonte de vida, vínculo e proteção. Durante todo o mês, são realizadas palestras, eventos, publicações nas diversas mídias, reuniões com a comunidade e ações de divulgação em espaços públicos. 

A campanha pelo incentivo à amamentação é conhecida mundialmente como Agosto Dourado e conta com o apoio da Aliança Mundial para a Ação em Aleitamento Materno (WABA), uma rede global de indivíduos e organizações dedicadas à proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno em todo o mundo.