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Nise da Silveira

Vida e Obra

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Museu de Imagens do Inconsciente
O Legado de uma Vida

Seção de Terapêutica Ocupacional

Na década de 40, Nise da Silveira, inconformada com os agressivos métodos de tratamento, busca novas formas terapêuticas para os internos do Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, atual Instituto Municipal Nise da Silveira, onde trabalhava.

A fotografia, em preto e branco, mostra a psiquiatra Nise da Silveira ainda jovem, com uma expressão facial séria, sentada em uma cadeira sobre a grama. Ela está com os cabelos presos, veste um tailleur em cor clara e calça sapatos escuros. A mão esquerda está apoiada sobre a lateral da cadeira e a mão direita, sobre o colo.Nesta fotografia, em preto e branco, há cinco mulheres. Em primeiro plano, uma delas está sentada, de perfil, e olha para frente. Ela tem cabelos curtos e veste roupas claras. Ao fundo, há duas mulheres, também de cabelos curtos e roupas claras, ambas em pé, com a feição séria e os braços cruzados sobre o peito. No canto direito da imagem, uma mulher faz o trabalho de manicure em outra.
A fotografia em preto e branco mostra dois homens exercendo o ofício de sapateiro. À direita, em primeiro plano, há uma máquina de costura preta, na qual trabalha um homem de cabelos escuros e camisa clara. No canto inferior esquerdo, existem algumas sandálias empilhadas. Ao fundo, um homem também está costurando e, ao lado dele, há diversas formas de sapatos em madeira sobre uma prateleira.
Fotografia, em preto e branco, mostra quatro sapateiros jovens trabalhando. Eles usam uniforme hospitalar. O homem que está em primeiro plano tem expressão séria, e olha para a sandália que traz nas mãos. O segundo, olha para a câmera, com um largo sorriso no rosto. O homem ao lado deste, também tem nas mãos uma sandália, e olha para a câmera, porém está sério. O último está martelando uma sandália. À direita, há uma prateleira, onde estão várias sandálias e formas de sapato em madeira.
A Seção de Terapêutica Ocupacional desenvolveu-se progressivamente até instalar 17 núcleos de atividades, com o objetivo de estimular a capacidade de expressão de seus freqüentadores.
A fotografia em preto e branco revela sete pessoas trabalhando em uma oficina com retalhos de tecidos. Estão em um local aberto onde, ao fundo, há uma parede de pedras. A mulher em primeiro plano segura uma tesoura e recorta um retalho. As demais estão igualmente absortas no trabalho com os tecidos.

A sensibilidade de Nise da Silveira apontava para outros caminhos que não fossem o coma insulínico, ou o eletrochoque, que provoca crises convulsivas e perda da consciência. Nise não conseguia aceitar essas práticas.

Funda então, em 1946, a Seção de Terapêutica Ocupacional, instalando diversas atividades e imprimindo-lhes um caráter predominantemente expressivo e não exclusivamente pragmático, segundo uso na época. Seu interesse era compreender o que se passava no mundo interno daqueles indivíduos tão herméticos, cuja linguagem verbal, dissociada e cheia de neologismos, tornava difícil a comunicação.

A fotografia em preto e branco revela homens com chapéus de palha e mulheres com vestidos xadrez. Estão abraçados, numa grande roda de festa junina que gira para a esquerda. O pátio está decorado com bandeirinhas e balões e, ao fundo, há uma construção branca com quatro janelas, além de algumas árvores pequenas. Nesta fotografia em preto e branco, homens e mulheres estão dançando em um palco e vestem roupas claras. No centro deste tablado, há uma pessoa de fraque e cartola escuros. Todos estão de mãos dadas, com os braços erguidos. Pessoas sentadas de costas para a câmera estão assistindo à apresentação. A fotografia em preto e branco mostra homens jogando uma partida de futebol. Uma torcida numerosa assiste ao jogo, que acontece em uma quadra enfeitada com bandeirolas juninas. A copa de uma árvore grande oferece sombra à boa parte das pessoas. Os jogadores vestem uniformes compostos de bermudas, camisetas e meias compridas com listras horizontais. Um jogador, posicionado no meio do campo, veste meias curtas. Ao fundo, há uma construção branca com um muro longo e alto, e algumas janelas.
"A comunicação com o esquizofrênico, nos casos graves, terá um mínimo de probabilidade de êxito se for iniciada no nível verbal de nossas relações interpessoais. Isso só ocorrerá quando o processo de cura já se achar bastante adiantado. Será preciso partir do nível não-verbal. É aí que particularmente se insere a terapia ocupacional, oferecendo atividades que permitam a expressão de vivências não verbalizáveis por aquele que se acha mergulhado na profundeza do inconsciente, isto é, no mundo arcaico de pensamentos, emoções e impulsos fora do alcance das elaborações da razão e da palavra. O exercício de atividades poderá adquirir importante significação. Em vez dos impulsos arcaicos exteriorizarem-se desabridamente, lhes oferecemos o declive que a espécie humana sulcou durante milênios para exprimi-los: dança, representações mímicas, pintura, modelagem, música. Será o mais simples e o mais eficaz."

Nise da Silveira