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Nise da Silveira

Vida e Obra

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Museu de Imagens do Inconsciente
O Legado de uma Vida

O encontro com Jung

A fotografia em preto e branco exibe a doutora Nise da Silveira ao lado do famoso psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Ela está do lado esquerdo e não olha para a câmera ou para Jung, mas fixa o olhar a sua frente. Usa um tailleur escuro com botões claros e tem cabelos grisalhos, que estão presos. Jung está à direita, ao lado da doutora Nise. Ele é calvo na parte da frente e do alto da cabeça, e os cabelos são curtos e brancos, como o bigode. Usa óculos redondos, terno escuro e um lenço enfeitando o bolso do paletó. Com a mão esquerda, apoia-se em uma bengala, enquanto gesticula com a mão direita.
Nise da Silveira e C. G. Jung na inauguração da exposição do Museu do Inconsciente, por ocasião do II Congresso Internacional de Psiquiatria, Zurique - 1957. Foto: Almir Mavignier

"Se houver alto grau de crispação do consciente, muitas vezes só as mãos são capazes de fantasia."

C. G. Jung

O Museu de Imagens do Inconsciente participou do II Congresso Internacional de Psiquiatria, Zurique, 1957. A exposição foi aberta por C. G. Jung na manhã de 2 de setembro. Ele visitou toda a exposição, detendo-se particularmente na sala onde se encontravam as mandalas, fazendo sobre o assunto comentários e interpretações.
Fotografia em preto e branco de Nise da Silveira e Carl Jung olhando para vários quadros afixados na parede. Um homem os acompanha e sorri. A fotografia, em preto e branco, retrata Carl Jung e Nise da Silveira, acompanhados de dois homens. Jung está à direita, de perfil e olhando para o lado esquerdo da imagem. Ele gesticula, enquanto é observado pela doutora Nise e por um dos homens. O local exibe um teto claro.
Fotos: Almir Mavignier

Deste primeiro contato originou-se um relacionamento que não só viria introduzir a psicologia junguiana no Brasil, mas constituir-se-ia também numa nova abertura para melhor compreensão da psicose e dos conteúdos que daí emergem. Confirmava-se então, que as atividades expressivas, além de possuírem validade terapêutica, eram também excelente meio para o conhecimento dos processos que se desenrolam na obscuridade do inconsciente. Aplicando à terapêutica ocupacional as descobertas de Jung, abrem-se novas perspectivas para este método.

A fotografia, em preto e branco, apresenta o close da mão de Carl Jung apontando mandala pintada em uma tela. A mão, com o dedo indicador encostado no quadro, ocupa praticamente toda a área da imagem. Em um dos raios da mandala está a assinatura de Jung.
A fotografia está em preto e branco e mostra Carl Jung. Ele está de perfil, com a mão esquerda apoiada em uma bengala, enquanto aponta, com a mão direita, para mandala pintada em um dos quadros na parede. O quadro em destaque tem desenho de cor clara em fundo escuro e, além dele há mais quatro quadros afixados na parede.
Este é um gesto que por assim dizer resume a psicologia junguiana: apontar para o centro, o self, simbolizado pela mandala. Fotos: Almir Mavignier
Segundo a psiquiatria dominante, a cisão das diferentes funções psíquicas é uma das características mais importantes da esquizofrenia. Seria de esperar, muito logicamente, que as cisões internas se refletissem na produção plástica pela ruptura, pela fragmentação das formas.

Entretanto, imagens circulares ou tendendo ao círculo, algumas irregulares, outras de estrutura bastante complexa e harmoniosa, também se faziam presentes na produção espontânea dos freqüentadores do ateliê do hospital psiquiátrico.

Fernando Diniz
Guache sobre papel

A analogia era extraordinariamente próxima entre essas imagens e aquelas descritas sob a denominação de mandala em textos referentes à religiões orientais.

Uma escolha de imagens desse tipo veio constituir o primeiro álbum do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente. Ali estava uma documentação reunida empiricamente, mas as dúvidas teóricas permaneciam. Aquelas imagens seriam mesmo mandalas? E em caso afirmativo, como interpretá-las na pintura de esquizofrênicos? Então a Dra. Nise escreveu uma carta ao próprio C. G. Jung enviando-lhe algumas fotografias de mandalas brasileiras.

Essas formas, respondeu Jung, demonstram que a psique perturbada, fragmentada, possui um potencial reorganizador e autocurativo que se configura sob a forma de imagens circulares denominadas mandalas.

Carlos Pertuis
Óleo sobre tela
Fernando Diniz
Óleo sobre tela