Museu de Imagens do Inconsciente
O Legado de uma Vida
O encontro com Jung
"Se houver alto grau de crispação do consciente, muitas vezes só as mãos são capazes de fantasia."
C. G. Jung
O Museu de Imagens do Inconsciente participou do II Congresso Internacional de Psiquiatria, Zurique, 1957. A exposição foi aberta por C. G. Jung na manhã de 2 de setembro. Ele visitou toda a exposição, detendo-se particularmente na sala onde se encontravam as mandalas, fazendo sobre o assunto comentários e interpretações.

Deste primeiro contato originou-se um relacionamento que não só viria introduzir a psicologia junguiana no Brasil, mas constituir-se-ia também numa nova abertura para melhor compreensão da psicose e dos conteúdos que daí emergem. Confirmava-se então, que as atividades expressivas, além de possuírem validade terapêutica, eram também excelente meio para o conhecimento dos processos que se desenrolam na obscuridade do inconsciente. Aplicando à terapêutica ocupacional as descobertas de Jung, abrem-se novas perspectivas para este método.
Segundo a psiquiatria dominante, a cisão das diferentes funções psíquicas é uma das características mais importantes da esquizofrenia. Seria de esperar, muito logicamente, que as cisões internas se refletissem na produção plástica pela ruptura, pela fragmentação das formas.
Entretanto, imagens circulares ou tendendo ao círculo, algumas irregulares, outras de estrutura bastante complexa e harmoniosa, também se faziam presentes na produção espontânea dos freqüentadores do ateliê do hospital psiquiátrico.
Guache sobre papel
A analogia era extraordinariamente próxima entre essas imagens e aquelas descritas sob a denominação de mandala em textos referentes à religiões orientais.
Uma escolha de imagens desse tipo veio constituir o primeiro álbum do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente. Ali estava uma documentação reunida empiricamente, mas as dúvidas teóricas permaneciam. Aquelas imagens seriam mesmo mandalas? E em caso afirmativo, como interpretá-las na pintura de esquizofrênicos? Então a Dra. Nise escreveu uma carta ao próprio C. G. Jung enviando-lhe algumas fotografias de mandalas brasileiras.
Essas formas, respondeu Jung, demonstram que a psique perturbada, fragmentada, possui um potencial reorganizador e autocurativo que se configura sob a forma de imagens circulares denominadas mandalas.
Óleo sobre tela
Óleo sobre tela
