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Nise da Silveira

Vida e Obra

O Instituto Municipal Nise da Silveira
e a busca da preservação da memória

Projeto de cooperação técnica

O Ministério da Saúde, por meio da Portaria n° 270, de 24 de outubro de 1997, criou um grupo de trabalho que iniciou as ações de cooperação com as unidades hospitalares psiquiátricas federais, favorecendo assim o intercâmbio dos projetos desenvolvidos e a integração de iniciativas anteriores em prol da memória da psiquiatria.

O projeto configurou um plano de trabalho das ações de cooperação técnica da Coordenação-Geral de Documentação e Informação (CGDI) do Ministério da Saúde (MS), por meio do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) junto às instituições psiquiátricas federais da cidade do Rio de Janeiro municipalizadas a partir de 1999, quais sejam o Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII), a Colônia Juliano Moreira (CJM) e o Instituto Philippe Pinel (IPP).

Esse projeto objetiva a recuperação e preservação das fontes de informações que ilustram a história da assistência da saúde mental no Brasil, integrando-as ao Sistema Nacional de Informações em Saúde. O CCMS coordena essa linha de ação da área de Documentação e Informação do MS que atua no sentido de ampliar o acesso público à informação em saúde.

Em 2000, as atividades de cooperação junto a essas unidades passam a ocorrer de forma sistemática em decorrência da contratação de estágios firmados pelo MS, representado pelo Núcleo Estadual do Rio de Janeiro (NERJ) e o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Inicialmente, a equipe foi composta por 20 estagiários dos cursos de arquivologia, biblioteconomia, história e museologia alocados nas instituições parceiras. A partir de 2004, o foco dessas ações foram direcionadas para o Instituto Municipal Nise da Silveira, anteriormente denominado Centro Psiquiátrico Pedro II, pela relevância dos acervos sob sua guarda e do processo de inventariança.

A Colônia de Alienadas de Engenho de Dentro foi criada em 1911, para receber alienadas indigentes oriundas do Hospício de Pedro II. A história do hospício confunde-se com a história da psiquiatria no Brasil, e os documentos que foram produzidos a partir da sua inauguração traçam um panorama das condições de tratamento e da vida dos alienados no hospício. A partir da década de 30, após transferência do hospício para antiga Colônia, nesse período denominado Centro Psiquiátrico Nacional, essa documentação foi dispersa para diversas instituições, sendo que grande parcela ficou alocada em Engenho de Dentro.

Em 1999, com a municipalização passa a ser denominado Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, atual Instituto Municipal Nise da Silveira. O Instituto detém a guarda dos acervos arquivístico e bibliográfico originários do antigo Hospício de Pedro II.

O acervo arquivístico é composto por documentos manuscritos e códices de grande valor histórico, datados a partir do século XIX, como: livro de matrícula de escravos, documentos de embaixadas, atestados de sanidade mental e prontuários médicos.

O acervo bibliográfico é constituído pelo acervo da antiga biblioteca do Dr. Juliano Moreira, no período de 1902 a 1930, e contém 35.000 obras, sendo considerado o acervo mais relevante da história da psiquiatria da América Latina. É composto por raridades, como originais de Charcot, Pinel, Morel, Esquirol, teses assinadas pelo Dr. Juliano Moreira e coleções completas de importantes periódicos nacionais e estrangeiros. O acervo museológico é o fruto do trabalho pioneiro da psiquiatra Nise da Silveira, atualmente com 350.000 obras, das quais 128.642 tombadas como Patrimônio Cultural da Humanidade pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Esses relevantes acervos ressaltam-se pela riqueza e pelo ineditismo, tais como fontes de informações e pesquisa para a história da psiquiatria no Brasil.