Olívio Fidélis
Nasceu em 1930 no estado de São Paulo. Solteiro, grau de instrução primária. Profissão: operário, estampador em fábrica de tecidos.
Foi internado em 1967, no Centro Psiquiátrico Pedro II. No mesmo ano, começa a frequentar o ateliê de pintura do Museu de Imagens do Inconsciente, devido a um desenho seu feito com um prego no muro do pátio do hospital: um homem estava sendo engolido por um grande peixe.
Sua permanência no ateliê foi curta, dizendo que preferia desenhar no pátio. Nos primeiros encontros não demonstrou vontade de conversar; ficava desenhando e às vezes falava de coisas relacionadas com os assuntos de sua pintura. E quase toda a sua pintura se refere ao mar. Dizia que pintava aquilo que via, tudo é visto em vidência. Não gostava de pessoas por perto. Negando estar num hospital, dizia que se escondera neste lugar fugindo de inimigos.
Quando, sob o impacto de afetos intensos, o inconsciente se reativa em proporções extraordinárias, ameaçando submergir o ego consciente, não é raro que se configurem monstros nas matrizes arquetípicas de onde tem emergido figuras semelhantes no curso de milênios.
O tema do dragão-baleia é uma das mais antigas e universais variações do mito do herói. Em vez de percorrer longas extensões de terra em busca de aventuras, de combater e matar dragões, aqui o herói é devorado pelo monstro.
O drama do encontro com o monstro exprime a situação perigosa para o indivíduo de ser tragado pelo inconsciente.
Mas o dinamismo de forças opostas não cessa nunca no próprio inconsciente. A tendência a sair do grande útero mar/inconsciente, a romper seu fascínio, é uma pulsão primária, inerente à vida. Através das imagens pintadas, as forças que tendem a emergir da escuridão em busca da luz do sol tornam-se visíveis. Uma ave retira a criança das águas e a deposita em terra firme.
Pouco depois de fazer estas imagens de renascimento, Olívio fugiu do hospital e não se soube qualquer notícia de seu destino.