Fernando Diniz
Nasceu em Aratu, Bahia, em 1918. Mulato, pobre, nunca conheceu o pai.
Aos 4 anos de idade veio para o Rio de Janeiro com sua mãe que era excelente costureira. Morando em promíscuos casarões de cômodos, costumava acompanhá-la quando ia trabalhar em casas de famílias ricas e abastadas.
Desde garoto o sonho de Fernando era estudar para ser engenheiro. Inteligente, foi sempre o primeiro aluno da classe. Chegou até o 1º ano científico mas abandonou os estudos.
Em 1949 começa a freqüentar a Seção de Terapêutica Ocupacional. Quando chegou ao ateliê, não levantava a cabeça e sua voz baixa mal se ouvia. Ao ser perguntado sobre a razão da beleza de suas pinturas respondia: Não sou eu, são as tintas. Em sua obra mescla o figurativo e o abstrato, abarcando das mais simples às mais complexas estruturas de composição.
Sua produção no museu é estimada em cerca de 30 mil obras: telas, desenhos, tapetes, modelagens. Em parceria com o cineasta Marcos Magalhães realizou o premiado desenho Estrela de Oito Pontas. O reconhecimento do seu trabalho veio mediante exposições no Brasil e no exterior, publicações, filmes e vídeos.
Fernando morreu em 5 de março de 1999 de cardiopatia e câncer.
"Tudo no mundo é redondo, ou se não, quadrado. Na natureza as frutas são redondas. O homem fazendo é quadrado - caixas, etc. A natureza é assim. A bola do mundo é redonda também. Para mim uma mandala é uma porção de coisas, tem tantas coisas em volta da mandala... Alguém perguntou: Um ovo estrelado é uma mandala? Cada pessoa diz uma coisa, cada mandala é diferente da outra. Eu tava pensando que uma mandala é uma roda grande com uma porção de figurinhas de ouro em volta. Tava pensando que era alguma coisa da religião. "
Fernando Diniz
Imagens pintadas por Fernando oferecem a oportunidade extraordinária de surpreendermos a utilização da pintura como meio de defesa quando é grande o tumulto de pensamentos e emoções. À esquerda está um emaranhado vermelho, o caos. Do outro lado está a mão esquerda com a palma voltada para cima (que ele podia olhar enquanto pintava). E a partir das linhas de sua própria mão ergue no espaço a construção, ainda insegura, de figuras geométricas. Na palma de sua mão, Fernando encontrou as linhas, esses elementos primeiros. Tomou-se como base para construções geométricas cuja função será opor-se ao caos.
"O pintor é feito um livro que não tem fim. "
Fernando Diniz