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Mostra virtual CCMS

Cinco
Artistas de
Engenho de Dentro

Mostra exibida em 2002


Em 20 de maio de 2002 o Museu de Imagens do Inconsciente completou 50 anos de existência. Trata-se de um marco histórico digno de celebração, considerando-se as duras lutas pela sua sobrevivência ao longo desse tempo.

Para as comemorações destes bem vividos 50 anos, o Museu organizou uma série de eventos cuja programação foi apresentada ao público na abertura da Mostra Retrospectiva, dia 11 de junho de 2002. Essa programação tem como objetivo abrir um amplo debate sobre a importância do Museu e despertar atenção sobre a necessidade de apoio para o desenvolvimento de suas múltiplas atividades. É uma forma de prestar justa homenagem à sua fundadora Dra. Nise da Silveira, referência indispensável quando se fala das transformações da psiquiatria brasileira e também àqueles que com sua colaboração tornaram possível este trabalho.

A Mostra Retrospectiva apresenta um panorama histórico do Museu e suas principais linhas de pesquisa e tratamento através de imagens e textos. A evolução deste trabalho está retratada em painéis com fotos e textos explicativos.

São 140 obras de 35 criadores: os mais antigos e famosos, como Emygdio, Raphael, Adelina e Fernando Diniz estão ao lado de frequentadores mais recentes e dos atuais, numa demonstração da vitalidade do Museu. São desenhos, pinturas e modelagens, destacando-se dentre as últimas as cópias das esculturas de Adelina Gomes feitas pela artista plástica Mazeredo especialmente para a exposição.

Na abertura da Mostra foi feita a apresentação da maquete da nova sede, como parte do Projeto de Reforma e Ampliação da Sede.

Foi também anunciada oficialmente a implantação da primeira etapa do Projeto Endereço Certo - Preservação de Obras de Arte em Papel.

Dia 11 de julho de 2002 - inauguração da exposição Cinco Artistas de Engenho de Dentro no Centro Cultural da Saúde.

Quem visitar o Museu de Imagens do Inconsciente irá confrontar-se com imagens inquietantes e muitas vezes belas que compõem o seu acervo, estimado em 350 mil obras acumuladas nesses 50 anos de existência. Essas obras são estudadas em diferentes áreas do conhecimento humano: antropologia, psiquiatria, história da arte e religião, com o intuito de decifrar os misteriosos processos que se desdobram no interior de indivíduos que vivenciaram um profundo mergulho no inconsciente.

Para a exposição Cinco Artistas de Engenho de Dentro procuramos fazer uma seleção de obras sob o ponto de vista artístico. O reconhecimento pelos críticos de arte do valor estético desses trabalhos, cujos autores viveram confinados em hospitais psiquiátricos, derrubou velhos preconceitos em relação à loucura. O título é uma homenagem a Mário Pedrosa, que realizou, em 1949, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a mostra 9 Artistas de Engenho de Dentro. Ele escreve:

"O artista não é aquele que sai diplomado da Escola Nacional de Belas Artes, do contrário não haveria artistas entre os povos primitivos, inclusive entre nossos índios. Uma das funções mais poderosas da arte - descoberta da psicologia moderna - é a revelação do inconsciente, e este é tão misterioso no normal como no chamado anormal. Mas ninguém impede que essas imagens e sinais sejam, além do mais, harmoniosas, sedutoras, dramáticas, vivas ou belas, enfim, constituindo em si verdadeiras obras de arte."

E aqui temos como prova: Carlos Pertuis, Arthur Amora, Geraldo Aragão, Abelardo Corrêa e Emygdio de Barros, que no ambiente acolhedor e livre de qualquer coação existente nos ateliês do Museu de Imagens do Inconsciente, desenvolveram um universo profundamente individual e por isso mesmo universal. Daí a liberdade e ousadia na criação, obedecendo simplesmente à música interior.

Luiz Carlos Mello
Curador e Diretor do Museu de Imagens do Inconsciente

A arte é a expressão genuína dos homens. Por meio dela tornam-se visíveis as imagens do consciente e inconsciente. Sua utilização como recurso terapêutico e a apropriação da gramática de imagens e símbolos resultantes desse processo permitem que se tenha acesso aos profundos e ancestrais conteúdos da alma humana. Essa capacidade de comunicação e expressão se constitui em um campo de pesquisa da psiquiatria, consolidada como uma linha de assistência à saúde oferecida aos pacientes portadores de problemas mentais.

Destaca-se assim, o trabalho revolucionário de Nise da Silveira que, a partir da utilização e estudo dessa possibilidade terapêutica, constituiu um valioso acervo científico e fundou em 1952 o Museu de Imagens do Inconsciente. A exposição desses trabalhos junto ao público e sua apreciação por críticos de arte identificaram, dentro desse universo, obras de grande valor estético, reconhecendo o talento de vários artistas, que na sua maioria viveram confinados em asilos e colônias, à margem da sociedade, e revelando a inteligência e sensibilidade presentes nos esquizofrênicos, capacidades então negadas pela psiquiatria tradicional.

O sucesso da incorporação do módulo do Inconsciente na Mostra do Redescobrimento 500 anos e sua intensa visitação pelo público nacional e internacional constitui-se um marco definitivo de legitimação das obras desses artistas como uma significativa face da arte brasileira. A produção de imagens do inconsciente apresenta uma rica intersecção de questões históricas, científicas, artísticas e também subjetivas, que contribuem para alargar os horizontes da arte como elemento intrínseco ao desenvolvimento do homem e das sociedades.

Sua prática permite reconstruir infinitamente o mundo e os sentimentos existentes em relação a ele. O Centro Cultural da Saúde integra as comemorações do Cinqüentenário do Museu de Imagens do Inconsciente e atua em estreita cooperação técnica e financeira para preservar e divulgar os trabalhos realizados. Este é um compromisso permanente com Nise da Silveira, primeira idealizadora deste espaço, o qual estaremos sempre empenhados em cumprir.

Márcia Rollemberg
Coordenadora Geral de Documentação e Informação - Ministério da Saúde

Exposição Cinco Artistas de Engenho de Dentro

Realização:
Ministério da Saúde
Secretaria Executiva
Subsecretaria de Assuntos Administrativos
Coordenação-Geral de Documentação e Informação

Coordenação Geral:
Márcia Rollemberg

Coordenação do Centro Cultural da Saúde:
Jussara Valladares

Curadoria:
Luiz Carlos Mello

Coordenação executiva:
Gladys Schincariol

Produção:
Eurípedes Júnior

Cenografia:
Daniela Thomas e Felipe Tassara

Execução do Projeto:
José Luiz Cristófaro

Programação Visual:
Manifesto Design

Digitalização de Imagens:
Marize Parreira

Restauração:
Ingrid Beck

Fotografia:
Mauro Domingues

Web design:
Rita Loureiro

Web design original:
Ana Aparecida Soares Ramos e Danielle Paes Gouveia

Copidesque e revisão:
Mônica Quiroga

Apoio técnico:
Jussara Alves
Cristina Vieira Santos
Alessandra Pereira

Acervo:
Museu de Imagens do Inconsciente

Entidades parceiras:
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Secretaria Municipal de Saúde
Secretaria Municipal das Culturas
Instituto Municipal Nise da Silveira
Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente

Apoio:
Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (Nerj)
TV Pinel



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Memória da Loucura