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Cinco
Artistas de
Engenho de Dentro

Emygdio de Barros

Emygdio nasceu em 1895 no estado do Rio de Janeiro. Desde a infância revelou habilidade manual fora do comum, construindo com velhas caixas e pedaços de madeira brinquedos que surpreendiam a todos.

Na escola primária e no curso secundário foi sempre o primeiro da classe. Fez o curso técnico de torneiro mecânico e ingressou no Arsenal de Marinha.

Destacando-se pela qualidade do seu trabalho, foi designado para fazer um curso de aperfeiçoamento na França, onde permaneceu durante dois anos. Logo após a sua volta ao Brasil (1924) deixou de frequentar o emprego, passando a andar pelas ruas, sem destino. Foi então internado no velho hospital da Praia Vermelha.

No início de 1944 foi transferido para o hospital de Engenho de Dentro. Com o correr dos anos, sua atitude torna-se de humilde aceitação da vida hospitalar. Ajuda na enfermaria em atividades de tipo doméstico, obedecendo sempre às ordens de enfermeiros e guardas. Verificou-se posteriormente que, muitas vezes, fazia trabalhos superiores às suas forças, como levar sobre a cabeça enormes trouxas de roupas para a lavanderia.

Em fevereiro de 1947, após 23 anos de internação, Emygdio começou a freqüentar o ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional. Apesar dos longos anos de internação em condições adversas e sem nunca haver pintado antes, seu trabalho atinge desde o início alto nível artístico, revelando talento incomum.

Suas obras, desmentindo os preconceitos dominantes na psiquiatria, foram desde logo aceitas no mundo da arte. Mário Pedrosa, Abraham Palatnik dentre outros, visitavam-no freqüentemente. Mesmo quando saiu do hospital (1950) para residir com parentes em Teresópolis (RJ), continuaram a levar-lhe estímulo e material de pintura. Em 1965 foi reinternado. Depois, vai para uma clínica geriátrica onde foi várias vezes visitado por funcionários do museu que lhe levavam material de pintura. Mas ele se recusava terminantemente a pintar ali, dizendo que só o faria no ateliê do museu. "O importante não é só pintar, é ter idéias para pintar. Aqui na clínica eu não tenho idéias para pintar. Só no Museu."

Volta a freqüentar regularmente o Museu de Imagens do Inconsciente, onde pinta até o seu falecimento em 5 de maio de 1986, aos 92 anos. Deixou no acervo do Museu um legado de cerca de 3.300 obras, dentre elas esta série de guaches realizada na década de 50.



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