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Arthur Amora teve uma breve passagem pelo hospital no final da década de 40, e não há maiores dados a seu respeito. Chegou ao ateliê desejando pintar, mas declarando que não sabia desenhar. Propus-lhe buscar um motivo que o interessasse. Descobriu uma caixa de dominós e copiou-os inteiramente. Depois, começou a simplificá-los, abandonando os pontos, encobrindo as faixas brancas e pretas, rompendo os ângulos, encontrando curvas e criando estruturas de forte contraste óptico.
Considerava o branco e o preto como cores suficientes para seu trabalho. Porém, recusou-se a mostrá-lo a seus parentes, pois temia ser considerado perigoso. Queria voltar para casa. Produziu cinco óleos, quatro desenhos e projetos sobre papel. Depois, afastou-se do hospital. Suas composições em branco e preto foram realizadas aproximadamente entre 1949 e 1951. Na mesma época, grupos de pintores auto-intitulados "concretos", influenciados pela pintura "concreta" suíça - de caráter geométrico -, discutiam no eixo Rio-São Paulo sobre quem seriam os pioneiros do movimento no Brasil. Os trabalhos de Amora revelam um geometrismo consequente e livre de influências estrangeiras.
Almir Mavigner