Projeto Quatro Varas
A fragmentação da família
Drogas, prostituição e violência tomam conta da favela
Ao chegarem à cidade grande, os retirantes vêem ruir suas expectativas. Surge um sentimento de frustração incomensurável. Sentem-se desarmados face às novas agressões contextuais e as defesas apreendidas e oferecidas pela cultura anterior tornam-se inúteis.
Diante do vazio de suas existências e da necessidade virtual de uma profunda mudança, que não sabem como realizar, são muitas vezes impulsionados a buscar compensações nas drogas e no álcool e, em alguns casos, são até levados a tentativas de suicídios. Através da ingestão de substâncias tóxicas tentam superar suas dificuldades e, assim, preencher o grande vazio existencial e o sentimento de desvinculação social. No entanto, tudo isso só agrava o seu processo de estabilização.
No contexto desestruturante da favela, as relações sociais são marcadas pela violência. Os problemas são resolvidos pela força, ação ou coação. O diálogo não é valorizado e, quando ocorre, é considerado uma conversa fiada que não resolve nada ou só serve para complicar as coisas. Toda e qualquer disputa provoca de imediato uma violência desenfreada, muitas vezes com conseqüências mortais.
O fato mais comum e marcante nesse contexto de violência permanente são as agressões dos homens contra suas mulheres. Esse tipo de violência caseira causa grande repercussão nos filhos que, necessitando de um espaço de segurança e tranqüilidade, só encontram conflitos, ameaças e inseguranças.Torna-se fácil imaginar o grau de instabilidade emocional que se abate sobre suas infâncias.
Sem emprego, os sentimentos de inutilidade, frustração e abandono deixam os favelados descrentes de suas capacidades.
A promiscuidade, devida à aglomeração de casas e pessoas, gera, muitas vezes, violentas brigas. Na favela, bate-se e grita-se, prevalecendo sempre a lei do mais forte.
O desejo de integração social, leva crianças e adolescentes a ingressarem em gangues, que delimitam territórios e afirmam sua identidade no confronto com outros grupos organizados.
Os meninos "colados" são seres vulneráveis às adversidades e, na ânsia de encontrarem algo que os estruture e que os fixe num espaço de respeito, os meninos buscam na cola de sapateiro uma proteção ilusória.

