O médico Jorge de Marsillac pertencia à primeira geração de técnicos do Instituto Nacional de Câncer, onde ingressou ainda em 1938. Chegou à direção em 1967 e foi um dos que mais lutou contra o sucateamento do Instituto

O INCA e os desafios da saúde pública nos anos 1960

Com a implantação do regime civil-militar, em 1964, a área da saúde pública sofreu com graves descontinuidades em seus projetos e ações. No caso do câncer, um grande problema foi a diminuição dos investimentos no INCA que resultou na interrupção de atividades e em declínio institucional.


Em 1969, o ministro da Saúde, Leonel Miranda, propõe repassar o INCA à iniciativa privada. A proposta gerou forte reação dos médicos do Instituto, tendo à frente seu diretor, Jorge Sampaio de Marsillac Motta, que pede demissão do cargo.


Embora não fosse privatizado, o Instituto foi incorporado à Federação de Escolas Federais Isoladas do Estado da Guanabara (Fefieg – atual Unirio).


Em 1968, foi formalizada a Campanha Nacional de Combate ao Câncer como instância do Ministério da Saúde. Dispondo de um orçamento pequeno, a Campanha deu início aos trabalhos nos estados, financiando entidades e ações de combate ao câncer. Com a institucionalização da Campanha, o INCA deixou de ser o principal formulador das políticas contra a doença no País. Apesar disso, manteve um papel de destaque por meio da prestação de serviços médicos, ensino, pesquisa e elaboração de programas educativos.


Campanha de combate ao câncer, 1961. Doação


Campanha de combate ao câncer de 1964, montada no aeroport Santos Dumont