O campeão na luta contra o câncer no Brasil

Se a medicina experimental tem em Oswaldo Cruz seu principal símbolo, a cancerologia tem em Mário Kroeff um personagem do mesmo quilate. Kroeff figura na história da medicina brasileira como o principal artífice na transformação do câncer em problema de saúde pública e na implantação de ações para o seu controle.


Nascido em 1891, no Rio Grande do Sul, Kroeff fez seus estudos médicos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na qual se formou em 1915. Em sua prática, destacou-se pela atuação na área da cirurgia.






Da cirurgia à cancerologia



Durante a I Guerra Mundial, Kroeff participou das missões brasileiras de apoio médico. Em 1924, retornou à Europa, numa missão governamental para estudar doenças venéreas. Nessa viagem, Kroeff se interessou pela tecnologia do bisturi elétrico para operação de tumores cancerosos. De volta ao Brasil, desenvolveu novas técnicas de utilização da eletrocirurgia e publicou diversos trabalhos sobre o tema.





Na década de 1930, Kroeff estava convencido da importância do diagnóstico precoce do câncer, do papel positivo da cirurgia em grande parte dos casos e do sucesso da radioterapia. Com esse objetivo, buscou ampliar o uso da eletrocirurgia no País, a partir da formação de médicos para a aplicação da nova técnica.




Personagem central em todo o processo de desenvolvimento de uma política de controle do câncer no País entre o final dos anos 1920 e a década de 1950, Mário Kroeff buscou criar uma rede de instituições que tratasse os doentes, implementasse campanhas em relação à necessidade de diagnóstico precoce e que também pudesse oferecer cuidados paliativos para os desprovidos de recursos.


Primeiro aparelho de eletrocirurgia utilizado no Brasil, trazido por Mário Kroeff.