Periódicos


Biblioteca Nacional

Arquivos de Jornal

JORNAL DO COMMÉRCIO. Rio de Janeiro, dez. 1952.



O “Jornal” de 1852.

____________

Anno XXVII – Sabbado, 14 de Dezembro
-  N. 341



Publicações à pedido.


A Marmota Fluminense, n. 324, de hontem publicou o seguinte artigo:



Hospício D. Pedro II



Domingo teve lugar a abertura deste admiravel estabelecimento e a inauguração da magnifica estatua de S. M. o Imperador.


A festividade começou por uma missa cantada na capella do edificio, com as presenças de SS. MM. e de grande número de pessoas da corte, o Rev. padre Antonio do Coração de Maria fez uma oração analoga ao objecto.


Depois da missa foram SS. MM. para a sala da estatua, e ahi ouvirão ler, pelo Sr. provedor da santa casa da Misericórdia, duas actas das reuniões da Irmandade, uma em que se determinava que o hospicio fosse incorporado ao hospital geral da mesma Irmandade, e a outra em que se determinava que se erigisse no hospicio uma estatua em memoria de S. M. o Imperador. Depois disto, o mesmo senhor provedor recitou um discurso em que referio os motivos que levarão a Irmandade da Misericórdia a erigir aquelle monumento a S. M. como fundador do hospício, pedindo que S. M. se dignasse a aceitar aquelle tributo de amor a gratidão da Irmandade.


Em seguida os Srs. Paula Candido e Conselheiro Jobim lerão discurso que nos parecerão bons. Terminados elles, foram SS. MM. percorrer o estabelecimento.


A fundação do Hospício D. Pedro II era uma idéa philanthropica e generosa, que ennocrecia o cáracter dê seu autor, a cuja frente figurava o nome do illustre senador o Sr. José Clemente Pereira, nome que nunca deixará de ser lembrado pelos Brazileiros amantes da civilização e do progresso material do seu paíz; porem a realização dessa mesma idéa, a constancia que foi necessária para supperar tantas dificuldades, cortar tantos barrancos, anniquilar a inveja e o ciume, que tantas vezes se manifestarão, despertão unicamente a lembrança desse homem que acaba de legar à posteridade uns dos padrões de sua glória, e do Brazil inteiro. – Escusado e outra vez nomear o Sr. Conselheiro José Clemente Pereira!


SS. MM. dirigirão-se, acompanhados de todos os circunstantes, para o lugar onde se achava a estatua. É esta uma das salas mais espaçosas, construida toda a custa do fallecido barão de Guapimerim, esta magnificamente decorada de ouro e branco. No tecto tem em relevo dourado uma corôa imperial e estas duas inscripções: 18 de Julho de 1841 – 3 de Setembro de 1842 que são as datas dos decretos da fundação do Hospital e do começo da obra. Na entrada da sala estão os bustos em marmore dos fallecidos bem feitores Srs. Babo e Ribeiro de Faria (barão de Guapimerim). Junto à porta do fundo, sobre um pedestal de granito, tirado das pedreiras da Praia Vermelha, de valioso trabalho, repousa a estatua de S. M. o Imperador. Este bello trabalho do Sr. Perich, em mármore branco, representa o monarcha ainda inberbe, revestido do manto imperial e empunhando o sceptro. É digno de um minucioso exame a perfeição dos rendados, dos bordados, sobretudo a natural posição da estatua. O pedestal é de grande apresso, por ser feito em pedra do paíz. Nelle se acha a seguinte inscripção: Petro Secundo, Brasillae decori et proesidio nosocomiu huius gavsta nominis sui tutela muniti conditori grati animi testimonium mesericordia hospitti jodales posuere anno dui MDCCCL II nonis sec.


Seria longo relatar as bellezas, aceio e commodidade deste estabelecimento, cuja entrada é soberba e fôra bastante para admirar. Enfermarias immensas, altas, arejadas e claras: casas dispostas com a maior segurança para banhos e moradias dos doudos furiosos, jardins e recreios, tudo vai mudar a sorte desses infelizes, até aqui mesquinha e inevitável.


A capella é apropriada ao edifício, mui simples, e de um gosto summamente elegante. Não tem grandes ornatos, mas tudo que nella se nota é de elevado primor e de architectura corynthica.


SS. MM. e pessoas de seu sequito, além de vários convidados, tiverão magnífico jantar dado pelos Srs provedor e foro. Nesta ocasião S. M. o Imperador, querendo mostrar a consideração em que tem o Sr. conselheiro José Clemente, fez que elle e sua esposa se sentassem à mesa de estado.


Mil tributos de gratidão ao Monarcha que levantou tão glorioso templo à caridade! Glória, eterno renome ao Sr. Conselheiro José Clemente Pereira.



(Da Marmota Fluminense)