Periódicos


Biblioteca Nacional

Seção de Obras Raras

Código: PR – SOR 3804 – 3817

O ESCORPIÃO. Rio de Janeiro, p.4, n.1, ano 1, out. 1862.



AS IRMÃS DE CARIDADE

Soneto

O. D. E. C


Á

SUA MAGESTADE O IMPERADOR


Se queres, bom monarcha, ser querido

Do teu brioso povo brasileiro,

Mais um prova dai de justiceiro,

Acabando c’um mal, demais crescido,


Mal, vergonhosamente, protegido,

Que se concede a todo o aventureiro,

Que usurpão do Brasil grosso dinheiro...

Vergonha eterna pr’os que tem mantido!


Fallo, ó Rei, das Irmãs de — Caridade! —

D’essa gente cruel, na direcção

D’hospitaes e asylos d’ orphandade!


Par livrar esse flagello da nação,

E de abusos de grande quantidade

Decretai, Senhor, o dia da expulsão!


Um Brasileiro.




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Biblioteca Nacional

Seção de Obras Raras

Código: PR – SOR 3804 – 3817

O ESCORPIÃO. Rio de Janeiro, n. 2, ano 1, p.4, nov. 1862.



AS IRMÃS DE — CARIDADE —

GLOSAS.


No seculo em que tudo é luz.

Para bem da humanidade,

Inventou-se para flagello

As irmãs de – Caridade — !


Com capa de hypocrisia,

Illudindo á sociedade,

Não passão d’impostoras

As irmãs de – Caridade! —


Dizendo ser tudo a bem

Desta tão bella cidade,

Vão instalando collegios

As irmãs de – Caridade — !


Mas é tempo para tirar

A illusão á magestade,

Expellindo d’entre nós

As irmãs de – Caridade — !




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Biblioteca Nacional

Seção de Obras Raras

Código: PR – SOR 3804 – 3817

O ESCORPIÃO. Rio de Janeiro, n.3, ano 1, p.4, nov. 1862.



AS IRMÃS DE — CARIDADE —


Se outr’ora os jesuítas

Nos  roubou a liberdade

Peior hoje fazer querem

As irmãs de — Caridade —


Dando eximias noções

A’ brilhante mocidade,

Vão –nos roubando o dinheiro

As irmãs de — Caridade.—




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Biblioteca Nacional

Seção de Obras Raras

Código: PR – SOR 3804 – 3817

O ESCORPIÃO. Rio de Janeiro, n.5, ano 1, p.4, nov. 1862.



AS IRMÃS DE — CARIDADE —


Irmãsinhas caridosa,

Inimigas da ganancia

Desculpai a petulancia

Se vos offer’eço estas rosas.

Por que as rosas teem espinhos,

Descobrem certos pontinhos...


Nem é bom nisso falar, não é assim, meus amores?

Perdoai se fallo em flores,

E por amores vou chamar.

E’ muita indiscripção,

Mas emfim peço perdão


Como vai esse hospital,

Haverá ahi novidade?

Diz-se por cá ser verdade

Que tudo vai muito mal.

Eu em tal cousa não creio,

Pois de certo haveis ter freio!


Será cousa verdadeira

Das beberagens a troca!

Se assim é, anda á matroca,

Já perdeu a estribeira!

Se a Santa Casa é desleixo...

Então nisso eu não mexo...


C.s.